Divulgação

Feira comemora o melhor resultado desde a estréia

Texto e  fotos de Rose de Moraes

A quinta edição da Interplast – Feira e Congresso Nacional de Integração da Tecnologia do Plástico – registrou neste ano o seu melhor resultado desde a sua primeira edição, realizada oito anos atrás. Cerca de 500 empresas prestigiaram direta ou indiretamente o maior evento do setor plástico da Região Sul, de 25 a 29 de agosto, fazendo jus à importância desse pólo de transformação, o segundo maior do país, com 900 mil toneladas processadas ao mês. De acordo com dados da Messe Brasil, organizadora da feira, o número de expositores cresceu 25% em relação à edição anterior, realizada em 2006, ocupando área de 9 mil m² do centro de exposições Expoville, em Joinville-SC, por onde transitaram milhares de visitantes.

Os níveis de crescimento industrial e econômico observados no país, principalmente decorrentes do aquecimento das atividades na construção civil, no agronegócio e no setor automotivo, são os grandes responsáveis pelo maior interesse dos fabricantes e distribuidores de resinas, máquinas e equipamentos em participar da feira. Contudo, altas expectativas também foram constatadas a respeito da provável instalação, em Joinville, de uma montadora de automóveis, o que também contribuiu para motivar a presença de interessados em firmar novos acordos comerciais e parcerias com representantes de toda a cadeia do setor plástico, incluindo fornecedores de resinas, empresas da transformação, metalúrgicas e fabricantes de moldes.

Como se sabe, Joinville já se posiciona na liderança absoluta de transformação do PVC, mas há alguns anos vem escalando degraus na transformação do polipropileno e de vários plásticos de engenharia utilizados em peças técnicas, que crescem em volume graças ao maior número de aplicações voltadas à produção de componentes para automóveis, máquinas agrícolas, eletroeletrônicos, eletrodomésticos e outros.

Aumentos de capacidade de produção em países emergentes como o Brasil também estão previstos há algum tempo nos planos de várias corporações internacionais, só aguardando o momento mais oportuno para serem implementados. Confirmando a retomada dos investimentos internacionais no país no setor automotivo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, serve de melhor exemplo, ao anunciar em agosto último investimentos de US$ 23 bilhões que serão escalonados para o período de 2008 até 2011. Provenientes de recursos das montadoras e de indústrias de autopeças, o montante servirá para aplicações em pesquisas, desenvolvimento de novos produtos e aumentos de capacidade produtiva.

Setor automotivo atrai - Pela primeira vez participando como expositora da Interplast, a Produmaster, de São Paulo, considerada a maior distribuidora de resinas de poliestireno da petroquímica Innova, com aplicações em extrusão, co-extrusão e injeção, vem acompanhando passo a passo os movimentos no setor automotivo.

Atuando no beneficiamento de resinas compostas de PP formuladas com diferentes tipos de cargas, reforços, modificadores de impacto e estabilizantes, e destinadas à fabricação de componentes para veículos automotores, a empresa está bastante otimista em relação ao crescimento da indústria do plástico na Região Sul, impulsionado pelo setor automotivo.

“Nossa vinda à Interplast foi motivada pelo interesse em participar de novos projetos do setor automotivo e firmar novas parcerias com sistemistas, prevendo fornecer compostos de polipropileno beneficiados com alta tecnologia, desenvolvidos pela própria empresa há mais de vinte anos e certificados com ISO 9001 e ISO/TS 16949, há mais de cinco anos; também viemos para marcar presença no mercado de distribuição de estirênicos na Região Sul, como poliestireno e acrilonitrila-butadieno-estireno, o ABS”, informou o consultor Carlos R. Benedetti Jr., da Produmaster.

No rol das especialidades da Produmaster para injeção, extrusão, termoformagem e sopro estão os polipropilenos aditivados com talco para a fabricação de peças rígidas com estabilidade dimensional e propriedades térmicas, como tampas para motores e polipropilenos aditivados com carbonato de cálcio,


Benedetti busca novas parceriais de olho no mercado automotivo

que combinam estabilidade dimensional, baixa contração de moldagem e acabamento superficial para a fabricação de porta-luvas, componentes de portas e de eletrodomésticos etc. Entre os polipropilenos, a empresa também beneficia grades reforçados com fibras de vidro para a fabricação de peças de alta rigidez, destinadas a suportar condições mais severas de trabalho e grades modificados com elastômeros, resistentes a impactos.

“Nossa atuação também é reconhecida em todo o país pelo beneficiamento de resinas de PP supercarregadas com carbonato de cálcio, denominadas supercompostos de PP, às quais conseguimos adicionar altos percentuais de aditivação com carbonato de cálcio, acima de 70%”, acrescentou Benedetti Jr.

Destinadas à fabricação de móveis para jardins, as resinas de PP com alta concentração de carga mineral são produzidas para conferir maior produtividade às indústrias e contribuir para reduções no custo final dos produtos acabados. Além dessas resinas, a empresa ainda fornece compostos de poliamidas aditivados com talco ou reforçados com fibras de vidro, compostos de PP com ação nucleante e importa ABS para suprir a demanda interna.

Demanda por TR aumenta - A atual conjuntura de expansão da indústria automotiva também motivou a participação da veterana Ipiranga Química na Interplast 2008. Há três anos comercializando a borracha termoplástica Santoprene com exclusividade no mercado brasileiro, em decorrência de acordo firmado com a ExxonMobil Chemical, a empresa vem comemorando o aumento de 14% nas vendas do produto no ano passado e espera repetir neste ano esse desempenho positivo.

“Estamos alinhados com o crescimento da indústria automotiva e ficamos muito satisfeitos com o aumento nas vendas de Santoprene no último ano. Para este ano, nossa expectativa é de repetir o nível de comercialização alcançado em 2007”, revelou James Francisco de Andrade Tavares, gerente de unidade de negócios da Ipiranga Química.

A densidade das peças fabricadas com a borracha termoplástica Santoprene, até 30% mais leves, é um dos fatores que tornam o material altamente competitivo principalmente nos setores de processamento de peças sopradas, como de coifas para os sistemas de direção e suspensão e dutos de admissão de ar, que respondem pela metade das vendas realizadas para o setor automotivo, sendo a outra metade correspondente às demandas para a injeção de perfis e para a fabricação de vários componentes extrudados.


Tavares reforça as qualidades das borrachas termoplásticas

“Estamos progressivamente ocupando o espaço das borrachas vulcanizadas, um mercado que movimenta, hoje, entre 25 mil toneladas/ano até 30 mil toneladas/ano. Isso ocorre porque o nosso material oferece vantagens de qualidade e melhor retorno do investimento, pois o processo de vulcanização, além de possuir mais baixa produtividade, representa maiores custos”, comentou Tavares.

Altamente resistentes ao calor e com o mais baixo custo de processamento, os elastômeros termoplásticos Santoprene também podem ser integrados a outros materiais rígidos e flexíveis como polietilenos, polipropilenos e poliamidas.

“O peso reduzido das peças fabricadas com Santoprene, entre 20% até 30% mais leves do que os componentes automotivos produzidos com borrachas vulcanizadas, a compatibilidade com outros materiais sobreinjetados e co-extrudados, somados às reduções de custo e ao menor impacto ambiental proporcionado pela reciclabilidade da borracha termoplástica, estão sendo levados em conta nas especificações dos materiais feitas pelas montadoras”, informou Tavares.

Além das aplicações na indústria automotiva, seu maior filão de mercado, as borrachas Santoprene também têm se mostrado atrativas para materiais empregados na construção civil como vedações para janelas, exemplo para o qual oferece níveis de redução de custo entre 5% e 20%.

“Nosso objetivo é oferecer maior competitividade aos nossos clientes também da Região Sul, seja oferecendo elastômeros como Santoprene, como também resinas recicladas provenientes de aparas das petroquímicas”, acrescentou.

A linha de reciclados da Ipiranga Química é outro segmento que vem se destacando no mercado da transformação. Composta inicialmente por aparas industrializadas da Ipiranga Petroquímica, essa linha chegou ao mercado cinco anos atrás. Em 2007, suas vendas dobraram em virtude de aumentos na demanda. Em fevereiro deste ano, juntaram-se à oferta de reciclados todas as aparas provenientes da Petroquímica Triunfo e, em maio último, foram acrescentadas as aparas originadas na Braskem.

“Todas essas aparas são industrializadas e classificadas pelos seus respectivos índices de fluidez, para facilitar a escolha dos transformadores, resultando em grânulos de polietilenos lineares, de alta e de baixa, além de polipropilenos e poliestirenos atualmente muito demandados pelos fabricantes de filmes e de utilidades domésticas”, concluiu o gerente da Ipiranga Química.

ABS e plásticos de engenharia também crescem - Outra estreante na feira foi a Remo Plásticos. Sediada em Guarulhos-SP e com mais de duas décadas de atuação no mercado brasileiro, a empresa importa, beneficia e industrializa várias resinas, agregando-lhes valor com aditivações, pigmentações e colorações taylormade, incluindo entre as suas especialidades a fabricação de blends.

“Temos um perfil industrial, e não somos um mero importador. Ao contrário, além de mantermos altos estoques locais, preocupamo-nos em atender às mais diversas necessidades da transformação, com o fornecimento de resinas como ABS, SAN, policarbonatos, acrílicos e blendas de ABS e PC, fabricadas pela LG Chem, da Coréia, da qual somos distribuidores”, informou Luiz Rogério Rodrigues, diretor-industrial da Remo. De acordo com estimativas feitas por ele, só o mercado de ABS no Brasil hoje corresponde a 70 mil toneladas/ano, havendo campo para o crescimento não somente de ABS, como também de outras resinas.

“O momento está muito propício para os negócios”, considerou Rodrigues. Vários setores estão se interessando pelas resinas ofertadas pela Remo, por isso a empresa já providencia o aumento da sua capacidade produtiva, que deverá passar em breve de 30 mil toneladas/ano para 40 mil toneladas/ano, somando incrementos que serão realizados em várias unidades industriais.

Segundo Rodrigues, as regiões de Joinville e Curitiba estão apresentando demanda crescente de ABS entre os segmentos mais diversos como o de fabricação de capacetes para motociclistas e o de saltos para a
indústria calçadista.


Rodrigues considera o momento propício para realizar negócios

“Nossa participação na Interplast é motivada pelos nossos esforços de expansão e fortalecimento de nossa presença na Região Sul do país, posicionando-nos cada vez mais como uma empresa de especialidades”, concluiu Rodrigues.

Confirmando o crescimento na demanda de resinas de desempenho na Região Sul, a Apta Resinas Termoplásticas, de São Leopoldo-RS, também marcou presença mais uma vez na Interplast, oferecendo ao mercado ampla oferta de resinas.

“Dez anos atrás, quando iniciamos nossos negócios na região” – lembrou o diretor-comercial Marcelo Berghahn –, “havíamos firmado parceria com a Basf, mas, ano após ano, nosso portfólio de produtos e representações foi aumentando até contarmos hoje com fornecedores como Chem Trend, Evonik, Radici Plastics, Solvay Solexis e Solvay Advanced Polymers.”

Assim, grande parte das vocações existentes na região, e que demandam desde commodities até plásticos de engenharia e de alto desempenho, incluindo polímeros de ultra-alta performance, tem respaldo da empresa.

No segmento de polímeros avançados, um dos destaques da Apta focou a resina de PPSU (Radel R), fabricada pela Solvay Advanced Polymers. Trata-se de material de alto desempenho, destinado à fabricação de instrumentos e peças para uso médico, hospitalar e odontológico. “Essa resina de PPSU apresenta altíssima dureza, excelente resistência química e ao impacto, podendo ser esterilizada repetidamente, atributos que fazem dela uma resina ideal para várias aplicações em instrumentos cirúrgicos, bandejas de instrumentos médicos e hospitalares, incluindo componentes internos para aeronaves”, informou Berghahn.

Também da Solvay Advanced Polymers, outro destaque coube à resina de poliarilamida (PAA), denominada Ixef, concebida para substituir com vantagens metais em várias aplicações como bombas de gasolina, cilindros de embreagem e carcaças de equipamentos pneumáticos.

Em se tratando de plásticos de engenharia, os destaques ficaram por conta de duas poliamidas fabricadas pela Radici Plastics: a Radilon A e a Radilon S. No primeiro caso, trata-se de poliamida 6.6, de alta dureza e com boa resistência à abrasão, desenhada para processos de injeção, extrusão e sopro, e muito requisitada para uso em componentes para eletrodomésticos e automóveis.

A segunda poliamida, classificada como 6, apresenta alta resistência ao impacto, e se destina à fabricação de componentes para as indústrias automotiva, eletroeletrônica e de eletrodomésticos, neste último caso conhecidas como fabricantes de linha branca.

Entre as resinas de alta performance, várias especialidades da Evonik (ex-Degussa) foram enfatizadas como poliamidas 12, poliamidas transparentes e poliamidas em pó. Altamente resistente a químicos, ao impacto e à abrasão, a poliamida 12 (Vestamid L) apresenta, segundo Germano Coelho, chefe de produto da área de polímeros de alta performance da Evonik, que também prestigiou a feira, baixa absorção de umidade, baixo coeficiente de atrito e alta resistência à fadiga, características que a tornam ideal para a fabricação de tubos de combustíveis, cabos industriais, componentes hospitalares, incluindo componentes para o setor automotivo.

Com maior dureza e maior estabilidade térmica do que a PA 12, a poliamida 6.12 (Vestamid D) apresenta alta


Parceiros, Coelho (esq.) e Berghahn divulgam as resinas da Evonik

temperatura de deflexão térmica, o que a torna recomendável para aplicações em cerdas de escovas de dentes, linhas de embreagens hidráulicas e utensílios domésticos.

Já a poliamida 12 (Vestamid E) conta com característica elastomérica, baixa densidade, alta flexibilidade e é altamente resistente a solventes e demais químicos, enquanto a poliamida transparente (Trogamid) tem alta estabilidade dimensional e alta resistência ao impacto, além de boa resistência à abrasão e aos raios UV, sendo recomendável para uso na fabricação de lentes e armações para óculos, componentes elétricos e hospitalares, entre outros.

Por último, a poliamida em pó (Vestosint) se caracteriza por ser uma resina de alta dureza e alta resistência química, apresentando baixo coeficiente de atrito e alta resistência à abrasão, características desejáveis para grande variedade de materiais e processos envolvendo a cobertura de metais e a produção de compostos termoplásticos.

 

 

<<< Anterior

Próxima >>>