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Setor
calçadista propõe normas de segurança
Uma
comissão técnica da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e
Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), entidade
com sede em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, quer criar normas
específicas para o item segurança dos bens de capital do setor calçadista.
Com efeito, foi criado o Programa de Desenvolvimento de Avaliação da
Conformidade e Normatização em conjunto com o Inmetro e o Sebrae.
A iniciativa motivou uma reunião realizada no escritório da Abrameq com a
presença de representantes de diversas entidades nacionais vinculadas à
indústria do calçado. O encontro ocorreu na segunda quinzena de junho. O
objetivo, entre outros, é criar barreiras para a entrada no país de bens de
capital importados do extremo oriente, os quais, para muitos especialistas
do setor, burlam de maneira sutil as leis trabalhistas do país no quesito
relacionado com a segurança operacional.
A norma de regulamentação número 12 do Ministério do Trabalho para máquinas
e equipamentos estabelece as medidas de prevenção de segurança e higiene do
trabalho a serem adotadas pelas empresas em relação à instalação, operação e
manutenção de máquinas e equipamentos. A fundamentação legal, ordinária e
específica, que fornece base jurídica à existência desta NR, está contida
nos artigos 184 e 186 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A partir
daí, a idéia é emitir um atestado de aprovação das máquinas quanto à
obediência dos quesitos de segurança operacional.
São cinco famílias de máquinas envolvidas na discussão do tema segurança:
corte, prensa, costura, montagem e as de peças pré-fabricadas. Nesta última
lista constam as injetoras de termoplásticos utilizadas na confecção
principalmente de solados e contrafortes. A indústria calçadista emprega
basicamente três famílias de injetoras termoplásticas: as horizontais, as
verticais e as carrossel. A medida se restringe às empresas filiadas à
Abrameq.
O diretor-executivo da Abrameq, Marcelo Adriano, esclarece que esta
atividade faz parte de um processo que contempla também o projeto Abrameq
Tecnologia, uma parceria com o Sebrae, com vistas a promover a presença dos
fabricantes de máquinas nos principais pólos produtores do Brasil, levando
conhecimentos em segurança de máquinas, além de manutenção preventiva e
gestão do processo. “Os asiáticos não chegam aos pés dos brasileiros nessas
questões”, provoca Adriano.
Para o diretor da Abrameq, essas normas, além de contribuírem para a maior
segurança do trabalhador, deverão ajudar no ingresso de máquinas brasileiras
em mercados como o da Europa. E acrescenta: “Esperamos que as regras também
sejam aplicadas nas importações de máquinas, evitando que entrem no Brasil
produtos que não ofereçam segurança a quem trabalha.”
Ainda segundo ele, o Ministério do Trabalho não fiscaliza a entrada das
máquinas no país, porém realiza auditorias em chão de fábrica. Ao fazer o
atestado, os fiscais definem quais máquinas atendem às especificações de
segurança e quais estão fora dos padrões. As irregularidades podem resultar
na interdição de um equipamento ou até da fábrica inteira.
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Rogério Dreyer,
diretor-executivo da Abicalçados acredita no sucesso do programa porque
conseguiu englobar fabricantes das diversas famílias de máquinas do
setor em favor da adoção de soluções práticas. Pontua que se trata de um
trabalho contínuo, porque os processos de produção se alteram
constantemente, por causa da implantação de novas tecnologias.
Avaliação – O debate sobre as normas de segurança das máquinas do
setor calçadista trouxe ao Brasil a consultora Filipa Lima, do Centro de
Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica (Catim), com sede na cidade
do Porto, em Portugal. Ela iniciou auditoria nas empresas do Vale dos
Sinos em 9 de junho e encerrou a atividade no dia 19 do mesmo mês. A
perita portuguesa considerou a realidade brasileira positiva, com
soluções técnicas bem elaboradas, embora ainda sejam necessários avanços
em alguns aspectos, sob a ótica das regras européias.
Por ocasião da reunião na Abrameq, Filipa acrescentou que as normas
gerais existentes no Brasil são equivalentes aos |
Fernando C. de Castro

Dreyer confia no sucesso do programa |
dispositivos em vigor na
Europa. Ela apenas sublinhou a idéia de promover a criação de normas
específicas para o setor calçadista, para que a máquina brasileira não tenha
dispositivos de segurança a mais nem a menos do que o necessário.
Até agosto, Filipa deverá ter concluído um relatório com sugestões para as
normas brasileiras de segurança de máquinas. Suas propostas poderão ser
incluídas no texto do grupo de trabalho formado pela Abrameq e Abicalçados,
o qual está em fase de elaboração para posterior encaminhamento ao
Ministério do Trabalho.
Como a NR-12 está em período de revisão, a idéia é inserir as normas
específicas para o setor alinhadas com as exigências européias, referências
mundiais em segurança. Na União Européia existem normas específicas para um
braço giratório, ou um balancim de uma máquina. Isso facilita a vida dos
projetistas. Poderão ser discutidas novas especificações sobre dimensões da
área de molde das injetoras.
De acordo com Filipa, a perícia se resume exclusivamente às normas de
segurança do operador. Não leva em conta produtividade, sofisticação de
sistemas de controle eletrônico, ou estética de acabamento. O propósito
final será internacionalizar os padrões de segurança das máquinas
brasileiras, dentro da União Européia. No entendimento da perita, esse
procedimento será relativamente simples, uma vez que a maioria das normas
brasileiras é a versão traduzida das elaboradas no âmbito da União Européia.
Para contribuir neste processo, a Abrameq e a Abicalçados obtiveram a
parceria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O
objetivo da Abrameq é prover a indústria de calçados de normas específicas
com relação à segurança das máquinas até 2010.
De acordo com Marcelo Adriano, quando a padronização brasileira estiver
totalmente definida, somente poderão entrar no país máquinas e equipamentos
com os padrões de segurança exatamente iguais aos estipulados aqui. “Muitos
equipamentos importados entram no país sem os dispositivos de desligamento
automático adequados para trancar a máquina em caso de pane ou nas operações
de limpeza, manutenção ou troca de molde, principalmente as chinesas.”
F. C. C.
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