Coextrusão em alta - O tamanho impressionou. Quem passou pela Rua M, no Pavilhão Verde, não conseguiu seguir em frente sem parar para ver as máquinas das marcas brasileiras Carnevalli e Rulli Standard, ambas de Guarulhos, São Paulo. Considerados os maiores desta edição, os modelos deram um tom de sofisticação à feira. A Carnevalli levou a linha de co-extrusão Polaris 3 PO 1800. O modelo possui capacidade de produção de até 400 kg por hora e opera com variados tipos de resina, como EVA, PP, PEAD, PEBD e PE linear. A linha Polaris já foi apresentada no Brasil em feiras como a Brasilplast e a Brasilpack. São conjuntos diferenciados de monoextrusão e de coextrusão. O modelo conta com rebobinadeira com troca totalmente automática e se destaca pela alta produção. Para o diretor comercial da Carnevalli Waldemir Carnevalli, o modelo é uma referência para o mercado sul-americano.

A confiança da Carnevalli no mercado argentino também se fez notar pela presença no país de sete representantes da marca, três deles responsáveis pelas vendas e quatro técnicos. Considerado o melhor mercado da América do Sul, a indústria argentina, na avaliação de Carnevalli, no entanto, não exige muita automação das máquinas, por conta do baixo custo da mão de obra. “A demanda é por facilidade de operação, preços reduzidos e alta produção”. Necessidades que parecem terem sido atendidas, pois o modelo já estava vendido no segundo dia de exposição.

A coextrusora da Rulli Standard também foi comprada logo no início da semana. De acordo com o gerente de exportações da Rulli Standard Oscar Rocha Martinez, nos últimos cinco meses, seis linhas de coextrusoras foram vendidas para transformadores portenhos. “A recomposição do mercado argentino gera importantes negociações no setor”, informou. E ainda indagou o fato de não haver linhas de crédito: “Imagina se houvesse financiamento”, ressaltou. Por conta da estagnação dos últimos três anos, a Argentina está em fase de renovação de suas máquinas. Na avaliação de Rocha, o Brasil é visto como primeira opção no mercado sul-americano, por isso, torna as negociações mais fáceis. “O Brasil é a Alemanha para a América do Sul”, comparou.

E parece que a recuperação argentina está a todo vapor. Se tinha a tradição de comprar monocamadas, agora volta-se para as coextrusoras. “Em dois anos vimos essa transição”, comentou Rocha. Por conta dessa evolução do setor, a Rulli apresentou uma amostra de um sistema, considerado pelo gerente, de última geração. Com capacidade para processar até 300 kg/hora, a coextrusora possui entre os diferenciais os rebobinadores. Estes operam sem ou com contato com a película e não fazem ruídos. “O mercado argentino tem consumido coextrusora top de linha, como esta máquina”, comemorou.

Se em 2002, mesmo com a crise, o fabricante argentino de máquinas ROR - Roberto O. Rodofeli y Cia. colocou em operação a extrusora para filmes modelo 40 Mini D com capacidade para 60 kg/h, nesta edição, o sócio-gerente da ROR Hector Rodofeli preferiu apenas apresentar cartazes de sua linha de extrusoras. “Estamos convidando os clientes a nos visitar na fábrica”, explicou. 
Torres: brasileiros estimulam a concorrência

Além de aproveitar para apresentar as novas instalações, duas vezes maior do que a área antiga, a decisão traz embutido o momento difícil vivido pelos fabricantes locais. As apresentações, feitas em sistema de Open House, contaram com modelo da linha de coextrusora de três camadas e capacidade de operação de 200 kg, por hora, além de rebobinadeira dupla, totalmente automática, de 1.500 cm. O grupo divulgou, de novo, a extrusora para filmes ROR 40 Mini D, apresentada na Argenplás 2002. O modelo produz 60 kg por hora e destina-se sobretudo à produção de sacolas.

Fabricante local de extrusoras, a Maqtor, da Província de Buenos Aires, apresentou a monoextrusora F 60P, com capacidade para 110 kg/hora. De acordo com o presidente da empresa Juan Carlos G. Torres, as empresas brasileiras roubaram as atenções na feira, porém também têm o poder de estimular a concorrência. “Elas nos motivam a melhorar”, afirmou. Porém fez uma ressalva. Para ele, as duas indústrias têm características distintas. Enquanto o transformador argentino exige máquinas de médio e de pequeno porte, o brasileiro opta por modelos grandes. No entanto, apesar das diferenças, a Argentina e o Brasil demonstram total afinidade, pelo menos durante os cinco dias de Argenplás.

ESTATÍSTICAS COMPROVAM EVOLUÇÃO

Com faturamento anual de 2,9 bilhões de dólares, o mercado argentino abarca 2.550 indústrias e emprega cerca de 30 mil pessoas. Com participação no Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina da ordem de 1,2%, o setor também tem mostrado a evolução dos índices do consumo de plástico por habitante. Tendo como base o ano de 1997, essa ascensão somente freou frente à recente crise do país. Há 8 anos, o consumo per capita era de 30,6 quilos, no ano seguinte registrou 30,9 quilos e no posterior, 31,4 quilos. Em 2000, a indústria retrocedeu, apresentou consumo de 30,7 quilos por habitante e daí por diante, a derrocada. Em 2001 esse índice atingia 28,4 quilos e em 2002, 21,2 quilos. Os sinais de recuperação começaram a despontar no ano passado, quando o consumo por habitante foi estimado, pela Caip, em 23,7 quilos.

 

Alcâtara machado Assume a Organização da ArfenPlás  

A promotora de eventos brasileira Alcântara Machado será responsável pela organização e promoção da próxima edição da Argenplás. O anúncio foi feito no primeiro dia de feira pelo presidente da Câmara Argentina da Indústria Plástica (Caip) Héctor A. Méndez, antes mesmo da apresentação oficial, realizada no dia seguinte, no Hotel Alvear, em Buenos Aires. 
Héctor Méndez e Patrícia Lucione anunciam mudanças na organização

A notícia repercutiu de forma positiva pois a novidade, em certa medida, aproxima os mercados argentino e brasileiro, além de trazer embutida a possibilidade de a feira adquirir um caráter efetivamente internacional.

A 11ª Argenplás já nasce grande. Com data definida para os dias 20 a 24 de março de 2006, a feira contará com área de 20.075 m², cerca de 30% superior à atual edição. A participação dos expositores também sobe. Saltará dos atuais 252 para 320, segundo estimativa da organização. A exposição será dividida em setores. A idéia é abranger os segmentos de máquinas e equipamentos; moldes e ferramentas; matérias-primas e produtos químicos; além dos transformadores de produtos acabados e semi-acabados. O evento também pretende reservar espaço para a prestação de serviços, através da promoção do meio ambiente e reciclagem e de entidades e associações do setor.

A parceria entre a Caip e a Alcântara Machado é intitulada por ambas como aliança. A denominação agrega a idéia de um pacto, cuja proposta seria a de potencializar o papel da indústria plástica no Mercosul. De acordo com Mendéz, a internacionalização das feiras é uma questão primordial para o avanço do setor. “O desenvolvimento da Argenplás, através da internacionalização tanto da organização como da participação dos expositores, poderá tornar a exposição um dos encontros mais importantes do mercado em nível mundial”, afirmou. A iniciativa também possui o objetivo de aproximar a indústria argentina dos incrementos tecnológicos e novidades produzidos em outros mercados.  

Experiência comprovada - Essa expectativa traduz uma relação consolidada, ao longo dos anos, entre a empresa brasileira e o mercado argentino. Na década de 90, a Alcântara Machado abriu o escritório Ed & Events S.A., em Porto Madera, Buenos Aires. Para a presidente da empresa Patrícia Inés Lucione, a transação entre os dois países representa a expansão do grupo no mercado latino-americano, mas sobretudo o avanço do setor plástico na região. A Alcântara Machado oferece o respaldo de 45 anos de existência e apresenta-se com a promessa de intensificar a imagem da indústria argentina, tanto no âmbito externo como no interno. A primeira feira realizada sob a responsabilidade da empresa ocorreu em 1958. Tratou-se da Fenit – Feira Internacional da Indústria Têxtil e de Moda. A partir de então agregou sua marca a 1.400 eventos e a mais de 45 feiras de negócio, atraindo por ano cerca de 1,2 bilhão de visitantes.

Na opinião de Méndez, a escolha da nova organização, em substituição às empresas Banpaku, Global Exposições e Pichon Rivière, pouco tem a ver com a nacionalidade da Alcântara Machado. Para ele, o fator determinante está relacionado ao fato de a companhia brasileira oferecer negócio globalizado, de amplitude e know-how comprovados. “Era imprescindível dar um salto qualitativo e quantitativo no desenvolvimento da Argenplás”, apontou. Considerada uma das maiores empresas organizadoras de evento, a Alcântara Machado responde por feiras como a Brasilplast – Feira Internacional da Indústria Plástica, onde participam cerca de 1.100 expositores.

Realizada a cada dois anos, a Argenplás figura entre os principais eventos do setor, sobretudo na América Latina. Para Méndez, com a incorporação da Alcântara Machado no negócio, renovam-se as expectativas da indústria plástica argentina no crescimento do setor, nos mercados doméstico e externo. A Argenplás 2006 também será realizada no Prédio La Rural, em Buenos Aires.

 

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