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De olho no Brasil - Com
filiais na Argentina, Brasil e México, a espanhola SM Resinas tem
crescido a taxas anuais de 30%. Distribuidora oficial da Dow Chemicals, a
companhia espera avançar a índices de 50% neste ano. Essa perspectiva
confirma a reação do mercado argentino e a estabilidade do preço das
resinas. Apesar de estar há quatro anos no país portenho, a presença na
Argenplás trouxe embutido o objetivo de consolidação dos negócios.
“Nossa participação no mercado não é especulativa”, ressaltou o
gerente comercial para a América Latina da SM Fernando Meler. A fim de se
firmar no Cone Sul, a empresa também pretende estar na próxima
Brasilplast, em 2005. A SM possui três depósitos no Brasil e estuda a
instalação de mais um na região Nordeste do País. Isso porque quer
agregar valor às operações, por meio do serviço. Daí a necessidade de
estar cada vez mais próximo ao cliente. Na Argentina, possui um escritório
e dois depósitos, em Buenos Aires e em Bahía Blanca. O mercado
argentino, porém, não tem estimulado projetos de expansão, avalia Meler.
Mesmo sem lançamentos na Argenplás 2004, a SM ministrou palestras técnicas
para os transformadores locais, a fim de fortalecer o vínculo com o
setor. A empresa aposta suas fichas na credibilidade da Dow e investe na
divulgação da tecnologia dos metalocenos.
As resinas, copolímeros de policarbonatos, têm
com principal característica a alta resistência a intempéries, ideais
para os segmentos automobilístico, eletroeletrônico e também setores
exigentes de barreiras de impacto. A linha SLX possui como vantagem a
capacidade de simular o aspecto da pintura, eliminando essa mão-de-obra.
Outros benefícios ficam por conta do alto brilho e da estabilidade de
cor. García diz acreditar no potencial da resina porque, na sua avaliação,
a indústria argentina tem buscado eliminar operações secundárias, como
a pintura dos automóveis. Na planta de Tortuguitas, província de
Buenos Aires, a GE tem capacidade para produzir 3,5 mil t por ano.
Durante a Argenplás, a empresa ressaltou as famílias de poliamidas não-reforçadas, reforçadas com fibra de vidro, antichama e reforçadas com mineral/fibra de vidro e microesferas de vidro. Também distribuidor de poliamidas, a Santa Rosa Plásticos, com sede em Buenos Aires, Argentina, participou da Argenplás pela primeira vez, apesar de seus 26 anos de existência.
Gigantismo das máquinas
- Os bens de capital são uma
amostra da fina sintonia entre Brasil e Argentina. Em 2002, a indústria
portenha importou o correspondente a 41,2 milhões de dólares, dos quais
o Brasil respondeu por 7,6%, ficando atrás dos Estados Unidos (34%),
Alemanha (17,6%) e Itália (12,8%). O país, no entanto, tem a tradição
de registrar índices superiores aos de 2002. Em 1997, a Argentina
importou o equivalente a 209,5 milhões de dólares. Em 2000, foram 96,3
milhões e em 2001, 75,5 milhões de dólares. Essa queda reflete apenas
as condições econômicas da indústria local, pois a abertura ao mercado
externo, sobretudo ao brasileiro é vista com bons olhos pelo argentino.
Na avaliação de Luciano Alberto Martinez, gerente de vendas da maior
fabricante argentina de injetoras, a Fluidmec, as importações oferecem
ao transformador local a possibilidade de se modernizar. “A máquina
brasileira é um complemento à nossa produção”, afirmou. Até por
esse motivo, a Argentina é o segundo maior mercado de bens de capital do
Brasil, os Estados Unidos respondem pelo primeiro lugar, segundo dados da
Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico
(CSMAIP).
Com o slogan: “máquinas brasileiras provem que o Brasil é muito mais
que samba e futebol”, a associação pretende fortalecer o
reconhecimento da produção nacional no exterior. Confiante no
entrosamento entre Argentina e Brasil, Maristela espera para este ano
aumento das exportações brasileiras da ordem de 15%, em relação a
2003. Por conta dessa expectativa, Maristela fez questão de levar para a
Argenplás a máquina corte e solda da linha NCS, da Maqplas, empresa que
dirige. O modelo opera com solda lateral, solda fundo e beira lateral e
possui dois servomotores no posicionamento do filme e na movimentação,
além de controle do tempo de solda dos cabeçotes, entre outras características.
Com planta na Província de Buenos
Aires, a Fluidmec ocupa área de 18 mil m² e hoje fabrica cerca de dez máquinas
por mês. Na década de 90, a produção mensal, em média, era de 30
modelos. Para Martinez, esse índice teria os requisitos necessários para
se elevar, se não fosse a participação asiática no mercado argentino.
“Há quatro anos, o transformador não renova suas máquinas, por isso,
com a economia mais estável, agora quer investir”, comentou. No
entanto, esse esperado aumento de demanda, na opinião dele, em nada tem
refletido nos negócios da indústria local. “Lamento que o crescimento
do país seja absorvido pelo mercado asiático”, comentou. Apesar do desânimo,
a Fluidmec levou duas máquinas para a Argenplás: os modelos DRD 160 e
HDF 80. A família HDF possui injetoras com fechamento hidráulico
direto de 60 t até 160 t. Também versátil, a linha DRD dispõe de
injetoras de 80 t de força de fechamento até 650 t. Porém, na feira, a
empresa priorizou modelos mais simples, ou seja, de baixo custo, na
tentativa de atenuar a concorrência externa. “Mas mesmo assim não
conseguimos alcançar o preço das asiáticas”, lamentou Martinez A Fumadi, outra
fabricante argentina de injetoras, pôs em discussão a falta de linhas de
crédito, problema antigo também da indústria brasileira. Para o sócio-gerente
da empresa Pablo di Palma, esse problema é até mais prejudicial do que a
concorrência externa. De acordo com ele, a reativação do mercado de
termoplásticos é visível, porém não há reflexos na produção local,
por conta das dificuldades do transformador de efetuar os negócios. Com fábrica
em Villa Madero, Buenos Aires, a Fumadi não revela a sua capacidade
produtiva, mas Palma ressaltou tratar-se, no momento, de uma produção
descontínua. Nem por isso a empresa deixou de colocar sua injetora em
funcionamento em seu estande. Na ocasião, lançou modelo de 100 t de força
de fechamento, com peso de injeção de 200 gramas. A principal característica
da injetora, na opinião de Palma, refere-se à rapidez de fechamento, por
conta de sistema hidráulico. Ainda no segmento de
injetoras, o destaque da feira argentina ficou para uma marca canadense, o
modelo HL 160RS 55/50, da Husky. Para o gerente de área da filial
argentina da empresa Nicolas Griot, o sucesso só não foi maior por conta
de problemas estruturais do prédio. Em função da fragilidade do piso, a
máquina só tinha autorização para funcionar 20 minutos a cada hora.
“É uma pena não poder explorar nossa participação aqui, ao máximo.
Trouxemos até técnico do Canadá”, lamentou. As características do
modelo parecem ter superado essa limitação, afinal, os comentários nos
corredores sobre a chamada “máquina amarela” eram de entusiasmo. O
modelo, da família Hylectric, assegura maior produtividade, facilita a
sua operação e prolonga a vida útil do molde, entre outras características,
segundo o fabricante. As principais vantagens,
segundo o gerente geral da Husky Brasil Fabio Seabra são o molde stack
(molde em dois níveis), capaz dobrar a produtividade do equipamento,
e o sistema swing chutes, um tipo de automação responsável pela
substituição de até três operadores. “Em linhas gerais, o sistema
extrai a peça, de forma orientada, diminuindo a intervenção do
operador”, explicou Seabra. O modelo representa a proposta da
empresa de reforçar seu papel de fabricante de sistemas e não apenas de
máquinas. “A Husky oferece a solução na área de injeção plástica”,
destacou Seabra. A injetora possui capacidade de injeção de 491 cm³ e
opera a 1642 cm³/seg. Sem fronteiras – Conforme observação
dos fabricantes locais, foi forte a presença asiática na feira. A Best
Choice SRL – Máquinas para a Indústria Plástica apresentou a injetora
CLF-125T, da Chuan Lih Fa, empresa de Taiwan. O engenheiro Jorge
Teyssandier, representante da marca na Argentina, admitiu as facilidades
de acesso ao país. “O mercado latino-americano deixou de comprar as máquinas
européias, por causa da alta do euro. Nós temos preços competitivos”,
afirmou. Há cinco anos na Argentina, a Best Choice destacou em seu
estande um dos modelos mais simples da linha. Com força de fechamento de
125 t e capacidade de injetar até 149 cm³ por segundo, a injetora, na
avaliação de Teyssandier, atende as condições do transformador
argentino. Até por esse motivo, no segundo dia de feira, já estava
vendida. A linha CLF, da qual o modelo faz parte, conta com máquina com
força de fechamento de até 3500 t. “Temos qualidade européia, com preço
asiático”, ressaltou Teyssandier. A companhia chinesa Chen
Hsong Group também colocou máquina para funcionar na Argenplás. Com
representação local a cargo da argentina Manyplast, mostrou injetora de
170 t de força de fechamento e 400 gramas de capacidade de injeção. De
acordo com o gerente de vendas da Chen Hsong Wilfred W.L. So, o modelo
chega a produzir até 6.800 peças pequenas por dia. Fundado em 1958, o
grupo produz mais de 9 mil unidades por ano. Com sede em Hong Kong, possui
um portfólio de injetoras de força de fechamento que varia de 20 t a
3.200 t, e volume de injeção de 43 gramas até 21,5 kg. A versatilidade
da marca é seu ponto forte. Para So, 80% da produção destinam-se ao
mercado chinês. A empresa exporta apenas 20% do volume total, dos quais
juntos Brasil e Argentina consomem 5%. Há dez anos o grupo conta com
representação brasileira e há 24, argentina. De acordo com ele, o
parque industrial portenho possui cerca de 800 máquinas da marca e o
brasileiro, cerca de 150. “A política de importação na Argentina
facilita a nossa entrada”, admitiu. Entre as marcas asiáticas a Haitian
também se destacou. No estande da argentina Nesher, empresa responsável
pela sua representação local, estavam expostas as injetoras HTF 86X, com
diâmetro da rosca de 40 mm, e a HTF 200 X, com diâmetro de rosca de 55
mm. Os modelos apresentam capacidade de injeção de até 165 gramas e 454
gramas, respectivamente.
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