PVC avança - A Solvay Indupa, líder no fornecimento de PVC e soda cáustica para o Mercosul, marcou sua presença na Argenplás, sinalizando a retomada do crescimento do PVC na região. De acordo com dados da companhia, a demanda argentina do termoplástico oscilou nos últimos seis anos de forma negativa. Em 1998, a taxa era de 160 mil t. No ano seguinte caiu para 140 mil t e se retraiu ainda mais em 2000, quando o índice alcançou 107 mil t. A baixa continuou em 2001, com registro de 96 mil t. Mas nada se compara a 2002, quando recuou para 65 mil t. Porém, os dois anos seguintes deram fortes indícios de recuperação. Estima-se demanda de 72 mil t e de 80 mil t, para 2003 e 2004, respectivamente.

Uma tendência tem animado o transformador argentino. Trata-se da ampliação de mercados como a construção civil e a indústria elétrica. Na avaliação do diretor comercial da Solvay Indupa do Brasil Carlos Alberto Tieghi, a relação vantajosa entre o custo e o benefício aumentou a utilização do PVC em aplicações de perfis e revestimentos de cabos. Do total do termoplástico consumido no país, o segmento de tubos e conexões responde por quase metade, 47%.

As outras aplicações de maior importância na Argentina têm índices bem inferiores: o segmento de calçados (solados), com 15%, e de filmes, com 14%. Em seguida, estão os cabos, responsáveis por 9% da demanda, e perfis e garrafas, com 6%, cada. O restante refere-se a aplicações diversas.  
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A planta argentina da Solvay Indupa possui capacidade produtiva de 210 mil t ao ano de PVC e de 180 mil t ao ano de soda cáustica. Os problemas econômicos pelos quais a Argentina passou reduziu em um terço o consumo de PVC no país em 2002. Na época, a companhia se voltou para o mercado externo.

Se em 1999, as exportações alcançavam 48 milhões de dólares, há dois anos, subiram 56%, chegando a 75 milhões de dólares. “O mercado argentino tem se recuperado aos poucos. Mas ainda existe excedente, que exportamos principalmente para o Brasil, Chile e a China”, explicou Tieghi. A planta da Argentina opera hoje com 85% de sua capacidade.  
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Na opinião de Tieghi, a recuperação do país não é discurso e sim realidade, pois o crescimento tem se mostrado sustentável. “O que se vê na feira hoje é um reflexo desse renascimento”, constatou. Salvo as devidas proporções, inclusive, territoriais, a Argenplás na opinião de Tieghi, se equivale à Brasilplast. “O clima aqui é de alegria. As dificuldades já passaram, nem mesmo a crise energética pode afetar o cenário positivo do momento”, afirmou. Ele prevê avanço do mercado, sobretudo no ramo da construção civil. Para o executivo, há uma grande expectativa de investimentos nessa área por conta do déficit habitacional. Segundo dados da Solvay Indupa, na Argentina o consumo de PVC é de 2 kg per capita, índice inferior ao do Brasil, onde cada habitante consome ao ano 4 kg. Por conta dessas taxas, Tieghi aposta no avanço da resina na América do Sul.

“Há muito mercado a ser desenvolvido nessa região”, disse. Para se ter uma idéia do potencial do PVC, na Europa e nos Estados Unidos, o consumo per capita é da ordem de 15 kg por habitante. 

Com presença em 50 países, a Solvay Indupa fatura 7,5 bilhões de euros (base 2003), a partir de sua atuação nos segmentos plástico, químico e farmacêutico. Das vendas totais, o plástico responde por 24%. O grupo possui plantas no Pólo Petroquímico de Bahía Blanca, Argentina, e em Santo André, Brasil. As duas unidades têm capacidade para produzir 450 mil t por ano de PVC e 284 mil t de soda cáustica.

Energia na medida - No mercado argentino há mais de 15 anos, a Ipiranga Petroquímica iniciou sua atuação no país com representação da alemã Hoechst. Em 1997, por conta do potencial do setor, abriu filial própria, em Buenos Aires. Hoje detém 25% da produção de polietileno de alta densidade (PEAD) e também atua nos segmentos de polipropileno (PP) e de polietileno de baixa densidade linear (PEBDL).

Apesar de priorizar o caráter institucional de sua participação na Argenplás, o gerente geral da filial argentina da Ipiranga Petroquímica André Castro destacou alguns produtos, como a linha de polietileno de média densidade linear (PEMD), destinada a aplicações de rotomoldagem. Entre os PEADs, o foco esteve nas resinas desenvolvidas para moldagem por sopro, aplicadas em frascos de produtos lácteos; para extrusão de tubos, voltadas à fabricação de tubos corrugados para esgoto sanitário e para drenagem, de maneira geral. Outro destaque ficou por conta de resina para extrusão de filmes, a ser aplicada em bobinas picotadas, sacolas e sacos em geral.

As mazelas vividas no país, para Castro, de certa forma, tiveram um aspecto positivo. Conforme explicou, em época de crise o plástico se encaixa à necessidade do consumidor final, pois substitui produtos mais caros, como madeira e vidro. Porém, sem vocação para se render às adversidades, a empresa aposta na renovação do setor. “Neste período de recuperação, a demanda de commodities está reagindo bem, assim como o mercado de especialidades, que também tem crescido”, disse. Para ele, até duas semanas antes do início da feira, a perspectiva para 2004 era mais animadora. A questão energética, a qual a Argentina sofre atualmente foi um choque para as petroquímicas, sobretudo, porque possuem como referência a situação brasileira. De acordo com Castro, a crise afetará os negócios, por conta da fragilidade do país, ainda em fase de fortalecimento. “Seria uma pena desperdiçar esse momento de recuperação com a falta de energia”, afirmou. No entanto, as com versas com os argentinos, durante a feira, o deixaram confiante na revitalização da indústria.

Na avaliação da gerente de planejamento e desenvolvimento da argentina Petroquímica Cuyo Elida Fernandez, apesar da extensa divulgação da problemática energética na Argentina, seria um exagero falar em crise. Para ela, algumas dificuldades afetam a atuação das petroquímicas, porém estratégias adotadas pelo setor, em parceria com o governo, atenuarão os efeitos negativos. “Estamos em discussão com autoridades nacionais para que não haja interrupção nos investimentos”, antecipou. Segundo ela, a recuperação do país não será influenciada pelo problema. 

“Estamos retomando os níveis de antes de 1998”, comentou. O mercado, na opinião de Elida, está maduro, por isso, a questão energética, se impactar os negócios da petroquímica, será de forma pouco expressiva. Especulações à parte, a companhia aproveitou a visibilidade da Argenplás para em seu estande reapresentar a linha Cuyotec (polipropileno/etileno/buteno). Trata-se da família de poliolefinas especiais já promovidas na edição de 2002 e dirigidas a mercados específicos. De acordo com Elida, a linha é indicada a aplicações de embalagens flexíveis (BOPP, cast e blow) e para o segmento de saneamento (tubos).

A Argentina possui dois produtores de PP: a Petroquímica Cuyo e a Petroken, ausente da exposição. De acordo com Elida, o mercado total de PP no país em 2003 foi de 160 mil toneladas. Por conta da ociosidade do setor – só a Cuyo tem capacidade produtiva de 100 mil toneladas –, um dos focos da empresa é o mercado externo. A petroquímica exporta de 25% a 30% de sua produção. Entre os principais destinos, o Brasil é líder, seguido por Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Peru. Para Elida, a Argenplás marcou o momento econômico atual da Argentina, no qual há muita vontade do empresariado de incrementar os negócios.

Segundo afirmou, a crise mostrou para a indústria local a necessidade de avançar a atuação no exterior, diminuindo a dependência ao mercado doméstico. O Brasil, no caso, é um dos principais focos da indústria argentina, pois provoca um efeito multiplicador no Cone Sul.  
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Há um ano, a petroquímica deixou de pertencer ao grupo Perez Companc (Pecom). Agora a composição acionária da empresa conta com a Petrobrás e a Admire Trading Corporation. Com planta industrial em Mendonza, província da República Argentina, a Petroquímica Cuyo se coloca como o primeiro fabricante nacional capaz de oferecer aos transformadores uma gama completa de PP. Um dos mais recentes feitos da companhia dá conta de novo acordo de cooperação tecnológica firmado com a Novolen Technology Holdings (NTH). O negócio visa aumentar a produção de poliolefinas especiais e de novos polipropilenos, destinados a aplicações de alto valor agregado, a partir da tecnologia Novolen.

Esta já é utilizada pela companhia desde 1989. A novidade está no fato de o grupo, além de se firmar como receptor da NTH, passar a ter papel mais ativo, se tornando “um sócio tecnológico”. A petroquímica irá disponibilizar seus profissionais e sua infra-estrutura para novos desenvolvimentos.

Em estande de 230 m², a PBBPolisur, empresa controlada  pela Dow Chemical Company e Repsol YPF apresentou as linhas de poliolefinas e elastômeros. Detentora de seis unidades produtivas, duas plantas de etileno e quatro de polietileno, localizadas no Pólo Petroquímico Bahía Blanca, província de Buenos Aires, a companhia aproveitou a participação na feira para se consolidar como uma das principais produtoras de PEBD, PEBDL, PEAD e PEMD.  
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