TEXTURIZAÇÃO

O SEGREDO É A ALMA DO NEGÓCIO

Executada no final da produção dos moldes, operação que confere às peças acabamento esmerado exige tecnologia avançada

José Paulo Sant’Anna

Última etapa do processo de fabricação dos moldes projetados para as diversas formas de transformação de termoplásticos e borrachas, a texturização é uma técnica resguardada por segredos mantidos a sete chaves. A operação tem como principais funções dar aparência sofisticada às peças produzidas e proteger as superfícies expostas contra danos, como riscos e arranhões. É muito utilizada pela indústria automobilística, de longe o cliente mais lucrativo e exigente das empresas especializadas (as montadoras respondem por, em média, 80% do faturamento das principais prestadoras desse serviço). Outros segmentos, menos rigorosos em relação à precisão do resultado final, também a usam com freqüência, casos das indústrias de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, utilidades domésticas, calçados, construção civil e de embalagens.

Cuca Jorge

Peças sopradas e extrudadas não requerem tanta precisão

Por sua complexidade, a atividade é exercida por poucas empresas no Brasil, fenômeno que se repete inclusive nos mercados mais evoluídos. Menor ainda é o número de companhias habilitadas a atender as montadoras, que operam apenas com as detentoras de tecnologia de ponta. A exigência dos fabricantes de veículos pela qualidade do trabalho é tamanha que, nos últimos tempos, para manterem-se no mercado, os principais nomes nacionais do ramo foram obrigados a aperfeiçoarem a qualidade de seus serviços a partir de associações a grupos internacionais especializados.

A corrida pela excelência no Brasil começou há cinco anos, época coincidente com a chegada da multinacional Krüth, instalada em Diadema (SP). Além de contar com a tecnologia da matriz alemã, a texturizadora faz parte do grupo SEC, composto por doze empresas do segmento espalhadas pelos cinco continentes. A nacional PKW Latina, com sede em São Paulo, está no mercado há dez anos e representa no País o grupo TTI Associates. Há quatro anos utiliza as tecnologias desenvolvidas pela norte-americana Tenibac-Graphon e japonesa Tanazawa. Situação semelhante vive a TSP Textura, criada no final ano passado a partir da estrutura da extinta Key Gravuras, empresa que no passado foi um dos nomes mais tradicionais do mercado. Localizada em Santana do Parnaíba (SP), a TSP detém as licenças do uso da tecnologia da norte-americana Mold-Tech e japonesa NGK. 

A paulistana MRA, empresa brasileira há três anos no mercado e cujo principal cliente é a General Motors, não está ligada oficialmente a nenhum grupo multinacional. “Mas contamos com o apoio tecnológico de empresas italianas e norte-americanas, cujos nomes preferimos manter em sigilo por enquanto. Nossa idéia é selar um acordo com essas parceiras e inaugurarmos uma nova empresa no futuro”, garante o presidente Roberto Ranieri.

Mercado – Os investimentos feitos nos últimos anos para aperfeiçoar a tecnologia trouxeram resultados positivos aos principais especialistas em texturização. Esse mercado esteve mais atraente a partir do final da década de 90 até meados do ano passado, quando muitas montadoras implantaram fábricas no Brasil, e as que já atuavam por aqui lançaram muitos modelos de veículos novos.

Cuca Jorge
Ranieri planeja firmar parceria com italianos e americanos

 

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