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Foto acima: Moderna linha de produção da Sinimplast -
Divulgação
PRODUTIVIDADE ELEVADA INIBE NOVAS VENDAS
PARQUE SOPRADOR ATUA
COM OCIOSIDADE E BUSCA
MERCADOS ALTERNATIVOS
AO DE EMBALAGEM, ALÉM
DE AMPLIAR EXPORTAÇÕES
José Paulo Sant’Anna
A vida tem sido difícil para os fabricantes de sopradoras no Brasil. A despeito do potencial de vendas representado por um parque industrial recheado de máquinas obsoletas, sobram obstáculos para o sonhado crescimento. Entre as dificuldades, como sempre, encontram-se os problemas de origem econômica. A falta de oferta de financiamentos a juros razoáveis e o clima recessivo vivido pelo País são aspectos que emperram os negócios de maneira significativa.
Mas os problemas extrapolam o âmbito da economia. O mercado das sopradoras também sofre com dificuldades particulares, que na última década vem afetando o desempenho dos principais fornecedores destes equipamentos aqui e no exterior. O impressionante aumento da capacidade de produção das máquinas e a grande alteração do perfil da indústria de embalagens, principal cliente dos transformadores do ramo, são obstáculos que provocaram grande queda no número de unidades vendidas. No Brasil, estimativas dão conta que há uma década a indústria absorvia entre 350 e 400 máquinas por ano, número hoje reduzido pela metade.
Com tantas barreiras, as empresas sobreviventes contam-se nos dedos. “Nosso mercado não tem números confiáveis, mas acredito que hoje três ou quatro empresas são responsáveis pela venda de 90% das máquinas fabricadas no Brasil. No passado havia uma concorrência muito maior”, revela Newton Zanetti, diretor da Pavan Zanetti, localizada em Americana (SP) e uma das mais tradicionais indústrias do ramo, que no último triênio tem mantido uma venda média de 100 máquinas por ano. Uma das baixas ocorreu recentemente. No mês de junho, a Tecnoinjet, fabricante de sopradoras criada em São Paulo no final dos anos 90 e detentora da marca Tecnoblow, anunciou o encerramento de suas atividades.
A julgar pelos resultados obtidos no primeiro semestre, as preocupações do setor devem permanecer na agenda. As vendas, que nos primeiros meses do ano já não empolgavam, caíram muito a partir de maio, mês em que o fantasma da recessão passou a rondar a economia brasileira de modo mais assustador. A esperança dos fabricantes é a de conseguir crescer, ainda que de maneira não muito significativa. A manutenção dos resultados de 2002, no entanto, começa a ser vista como um bom negócio. “As coisas não estão fáceis, tomara que melhorem no segundo semestre”, resume Fernando Moraes, gerente nacional de vendas da Bekum, empresa de origem alemã presente no mercado brasileiro há mais de duas décadas e que nos últimos tempos tem comercializado a média de 30 a 40 máquinas por ano.
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Exportação - Caso o mercado interno continue estagnado, uma saída pode ser a exportação, impulsionada pela desvalorização do real verificada a partir do segundo semestre do ano passado. “Estamos empenhados em criar uma forte estrutura de vendas e assistência técnica em outros países, como Venezuela e México”, garante Cristiano Cava, gerente comercial da JAC, empresa criada em Americana (SP) há quinze anos por ex-funcionários da Pavan Zanetti e que tem vendido, em média, quatro unidades por mês. |
Cuca Jorge |
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| Cava reforça o pós-venda para a América
Latina |
Durante sua existência, essa é a primeira vez que a empresa pensa no comércio externo de forma séria. “Além da cotação do dólar, os incentivos fiscais fazem com que o mercado externo se torne bastante interessante para nós no momento”, reforça o gerente.
Zanetti também acredita que exportar é uma boa saída. Historicamente, as vendas de sua empresa para o exterior representam cerca de 25% do faturamento – número que hoje caiu para 17%, principalmente em função da crise vivida pelos vizinhos. “Estamos começando a perceber uma lenta retomada nos investimentos na Argentina, que sempre foi nosso principal cliente”, ressalta sem muito entusiasmo o diretor, que aponta o mercado mexicano como o mais atraente no momento. Pelos mercados do Oriente Médio e Ásia, sedutores para outros ramos da economia, o dirigente acredita que não vale a pena lutar. “Em regiões muito distantes é complicada a manutenção de equipes de vendas e assistência técnica”, justifica Zanetti.
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