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Revestimento de PET – Outra novidade chega ao mercado pelas mãos da Formplast, de Gravataí-RS, uma das duas únicas empresas no mundo a produzir “fórmica” com PET reciclado, garante o diretor industrial Alexandre Figueiró. O outro fabricante, informa, fica na Alemanha. A fórmica tradicional se constitui num laminado fenólico. O que a Formplast faz é produzir um laminado de PET reciclado, com as mesmas aplicações do laminado fenólico, como revestimento de móveis, áreas de construção civil e decorações, explica. Como no caso dos tubos, o material empregado nos laminados também se constitui numa blenda de plásticos reciclados, composta por mais de 80% de PET pós-uso, segundo o diretor.
A idéia surgiu numa visita em feira alemã, onde Figueiró se deparou com produtos similares em PVC e pensou que poderia fazê-los com PET reciclado, oferecendo as mesmas características e preços mais competitivos em relação ao PVC e ao fenólico. O produto foi lançado há dois anos, no mercado de varejo nordestino. “Ficamos sabendo do similar alemão no ano passado, numa feira de construção civil”, garante. Aos poucos, o produto se expandiu para outras regiões e conseguiu se consolidar no varejo de pequeno e médio marceneiro. Só chegou à indústria no final do ano passado, quando conquistou alguns clientes de médio porte (Móveis Luciane e AJ Rorato, ambos no Paraná, e Bentec, no Rio Grande do Sul, entre outros).
De acordo com Figueiró, o laminado de PET apresenta excelentes características de coesão (colagem) e permite o uso dos mais diversos tipos de cola disponíveis no mercado. Entre outras propriedades, ele destaca a elevada resistência ao rompimento, ao amassamento e a produtos químicos domésticos. Além disso, resiste à abrasão, ao impacto, e a mudanças bruscas de temperatura. O produto atende todas as especificações da norma da ABNT NBR 14535, que define as características necessárias aos laminados usados na indústria moveleira.
O revestimento de PET tem ainda duas vantagens adicionais em relação aos laminados de PVC: não libera substâncias quando aplicado pelo sistema de prensa aquecida (o PVC emite ácido clorídrico nesse processo), e não amarela sob a incidência de raios ultravioleta, assegura Figueiró. Na comparação com os laminados fenólicos, só perde na resistência à temperatura, mas mesmo assim respeita as especificações da NBR. É ainda fácil de moldar, manusear e cortar.
Além de homologado pela ABNT, o laminado de PET reciclado também foi testado e aprovado pelo Centro Tecnológico do Mobiliário (Cetemo), reconhecido no País como o organismo capaz de aferir as características dos insumos destinados à produção de móveis, assim como os móveis prontos. “O laminado é produzido com base na norma ABNT e aferido pelo Cetecom”, ressalta o diretor da Formplast.
O produto se encontra disponível em três padrões de textura: amadeirado, de alto brilho ou jateado. Os interessados podem escolher entre 14 opções de cores sólidas standard e três padrões decorados (aço escovado, mogno e pau-marfim), ou ainda optar por cores especiais, feitas sob encomenda.
A Formplast nasceu a partir de um projeto lançado pela Neoform, grupo do qual faz parte, para diversificar a atuação no ramo de plástico. A idéia vingou e a Formplast iniciou as atividades em 2001. A empresa produz exclusivamente laminados e fitas de borda (feitas do próprio laminado). A produção atual chega a 300 mil m² por mês. “Mas temos capacidade para triplicar essa oferta”, diz Figueiró. O investimento foi da ordem de US$ 2 milhões.
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PET nas paredes – Além de tubos e laminados, as garrafas usadas de PET também viraram tinta a partir de fevereiro. Na verdade, os flocos de PET se transformam em resina alquídica, usada como insumo na produção de esmaltes e vernizes da linha imobiliária Suvinil. A iniciativa partiu da Basf, que antes de lançar a moda se cercou de cuidados, como garantia de abastecimento e produto de qualidade. |
Cuca Jorge |
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| Cada galão reaproveita seis garrafas de PET |
A idéia maturou por cerca de três anos. Só o desenvolvimento e domínio da tecnologia para transformar flakes grossos de PET reciclado em resina demandou um ano.
| Cuca Jorge |
“O flake fornecido para a Basf é misturado com outras matérias-primas num reator, transformando-se em resina alquídica”, resume o gerente de departamento de produção resina Juan Gea. Segundo ele, as garrafas de PET recicladas substituem na fórmula parte do anidrido ftálico, matéria-prima não renovável. |
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| Gea: flake vira resina alquídica no reator |
Cada galão de 3,6 litros de tinta retira das ruas, em média, seis garrafas de PET de dois litros. Mas o uso de PET reciclado nessa aplicação exige conhecimento e domínio tecnológico sobre o processo e o sistema de filtração, ressalta Gea, pois o processamento inadequado pode impedir a conversão plena do PET em resina.
Nas contas de Gea, só a Basf absorve perto de 3% de todo volume de garrafas de PET reciclado no País. A produção de tintas já garantiu a retirada de 50 milhões de garrafas de PET do meio ambiente. Também proporcionou à Basf economia de R$ 3 milhões no processo.
Segundo Gea, ainda há outro benefício ambiental extra: a redução de 40% do volume de efluentes. Isso porque o processo que emprega a resina produzida à base de PET reciclado gera 40% menos água como subproduto da reação, garante. Com isso, a Basf se exime de enviar para tratamento ao redor de 250 mil litros de água de processo.
O produto não deve cativar apenas por contribuir para a preservação ambiental. Também o favorecem o aspecto social e os benefícios diretos ao consumidor final. O social se reflete na geração de empregos. Gea acredita ter contribuído para gerar 500 novas vagas para agentes ambientais (leia-se coletores/catadores). “Nosso consumo elevado incentiva a criação de novas cooperativas e recicladoras”, pondera. Para o usuário final, a vantagem fica por conta do desempenho do produto, ao qual o PET confere maior brilho, resistência superior à intempérie e, por conseqüência, maior durabilidade. “Não tem nenhuma desvantagem.”
Há outros projetos na gaveta. A intenção é desenvolver novas aplicações para as resinas alquídicas produzidas a partir das garrafas de PET, ainda neste ano. Para suprir suas necessidades, a Basf conta hoje apenas com o fornecimento sistemático da Clean Pet. “Estamos desenvolvendo outros três fornecedores”, informa Gea, que emprega no processo flakes incolores ou verdes.
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