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PARTE 2
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Nesta segunda parte da Brasilplast, Plástico Moderno trata das máquinas e equipamentos, que mostraram exuberância tecnológica de fazer inveja, notadamente na área de injeção, obstinada em ofertar máquinas de última geração. Tendência mundial, os modelos totalmente elétricos sobressaíram, com dois fabricantes nacionais adeptos à tecnologia – Romi e Himaco –, entre outros grandes nomes da indústria internacional também presentes no evento. No campo da extrusão, merece nota uma inovação mundial encabeçada por uma empresa nacional. A Carnevalli lançou a única extrusora tipo balão horizontal. A novidade reúne vantagens como ocupar menos espaço, facilitar a manutenção e o acesso à máquina. No segmento de sopro, as máquinas visaram mais a produção de bombonas e garrafões. A reportagem ainda trata do setor de periféricos, marcado pela grande variedade de equipamentos ofertados à transformação, desde o mais rudimentar moinho a complexos sistemas de automação. Boa leitura. |
INJETORAS ELÉTRICAS DOMINARAM O CENÁRIO
Principal tendência na feira e no mundo, essa tecnologia esbarra no preço mais alto
Principal tendência no campo de injeção, as injetoras elétricas exibidas na Brasilplast ainda não emplacaram no País. O mercado brasileiro resiste em absorver estas máquinas por um motivo bastante simples: sem a escala de produção adequada, as injetoras elétricas ainda são mais caras que as hidráulicas de mesmo porte. Desse modo, apesar da mobilização de fabricantes nacionais e estrangeiros para apresentar modelos elétricos em seus estandes, a preferência ainda recaiu sobre as máquinas convencionais, híbridas ou hidráulicas, com melhores quesitos de desempenho, sejam eles o consumo de energia, a precisão de repetibilidade ou o tempo de ciclo.
A Himaco, situada em Novo Hamburgo-RS, foi a primeira fabricante brasileira a produzir máquinas elétricas. Nesta edição da Brasilplast, entretanto, a Himaco se limitou a apresentar atualizações de seus já conhecidos modelos, como a capacidade de operação com moldes maiores, maior espaçamento entre colunas, maior rapidez e maior produtividade, segundo informou Cristian Heinen, do departamento de vendas. O destaque para os visitantes foi a máquina Rapid 3500-1760 LH, criada para atender a necessidades do mercado detectadas pela fabricante. Com força de fechamento de 350 toneladas e capacidade de produção de peças grandes, o equipamento é dotado de robô para a etiquetagem. Mas a campeã em vendas, entretanto, foi a injetora Rapid 1600-740 LHS, de 160 toneladas de força de fechamento, já lançada na feira Mecânica. “Fizemos um preço melhor para a máquina na feira, com boas condições de pagamento, e as vendas dispararam”, comemora Heinen. Outra atração no estande da Himaco foi a injetora elétrica HE 1300, cujos acionamentos são todos disparados por servo motores. O preço da máquina entretanto, pode ser proibitivo: ela é 50% mais cara que a equivalente hidráulica.
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Outro fabricante brasileiro, a Romi, de Santa Bárbara d’Oeste-SP, aposta no avanço das máquinas elétricas. A empresa lançou a linha de máquinas elétricas Eletramax, composta pelas injetoras Eletramax 150 e 220 (150 toneladas e 220 toneladas de fechamento, respectivamente). |
Cuca Jorge |
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| Para Dottori, nova máquina economiza 60% de
energia |
Segundo Antonio de Pádua Dottori, chefe da engenharia de marketing, os acionamentos elétricos, se comparados aos acionamentos hidráulicos de máquina similar, permitem redução de até 60% no consumo de energia para o mesmo produto injetado; reduzem o nível de ruído de 80 decibéis para 60 decibéis e em até 95% o calor gerado no ambiente pelo sistema hidráulico; ainda elevam a precisão da máquina em uma casa decimal e eliminam a geração de partículas em suspensão.
As características das novas injetoras as tornam adequadas para o uso em salas limpas e ambientes fechados, em aplicações em linhas de produtos médico-cirúrgicos, produtos eletrônicos de alta confiabilidade e precisão, celulares, e microchips, por exemplo. “A aceitação deste produto, apesar de custar mais caro (os insumos são mais caros) foi bastante grande”, afirmou Dottori. A Romi também lançou as injetoras da linha Primax com forças de fechamento de 1.300 t, 1.500 t, 1.800 t e 2.000 t. São máquinas de grande porte, com duas placas e plastificação elétrica – as primeiras fabricadas no Brasil, assegura Dottori –, destinadas aos mercados automotivo, moveleiro e de pallets, entre outros. A tecnologia de duas placas reduz o comprimento total da máquina em cerca de 25%, em comparação a similar de três placas.
| A Romi detêm duas patentes exclusivas utilizadas na fabricação deste equipamento, também empregadas por fabricantes europeus. As injetoras Primax são equipadas com acumuladores de nitrogênio para todos os movimentos hidráulicos. |
Cuca Jorge |
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| Eletramax opera com maior precisão |
O outro destaque da Romi foi a linha Velox, de máquinas híbridas, com plastificação elétrica e destinadas a ciclos ultra rápidos, principalmente no mercado de embalagens. Essas injetoras possuem forças de fechamento entre 150 t e 600 t, e são equipadas com acumuladores de nitrogênio na injeção, que possibilitam vazões de até 2.000 cm3/s, com pressões acima de 2.200 bar. Servo válvulas controlam as funções de injeção, recalque e contra-pressão, e a simultaneidade de movimentos gera reduções de até 25% no tempo total de ciclo, de acordo com o tipo de molde utilizado. Além disso, a plastificação elétrica reduz em até 30% a energia consumida pela máquina, em relação a modelo similar.
Hidráulica sob medida - Originária da Itália, a Negri Bossi, do grupo Sacmi, trouxe para a Brasilplast os modelos V370 (série Canbio) e VE120 (série Elma). A V370 é uma injetora híbrida com motor elétrico na dosagem e 370 toneladas de fechamento, que operou durante a feira produzindo bandejas de PP em ciclo de 25 s. Segundo Venceslau Salmeron, diretor comercial da filial do Brasil, a Negri Bossi, em parceria com a Bosch Rexroth, desenvolveu sistema em que toda parte hidráulica das máquinas da série Canbio opera com sinalização digital, comunicando os componentes entre si, independentemente do CLP.
| Cuca Jorge |
“É um sistema exclusivo da Negri Bossi”, disse Salmeron, ressaltando que o desenvolvimento confere maior precisão às injetoras da série. |
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| Roboshot opera com 4 servo-motores |
A série Elma, com máquinas entre 90 t e 370 t de fechamento, foi representada pela injetora 100% elétrica VE120 (força de fechamento de 120 toneladas), lançada na última K, na Alemanha. Os equipamentos da série possuem servo-motores atuando diretamente nos movimentos através de fusos, além de solução patenteada na injeção que utiliza apenas dois servo-motores.
A máquina propicia economia de energia de até 50%, e operou no estande da Negri Bossi injetando garfos em molde de dez cavidades e tempo de ciclo de 3,5 s. Além de poder sobrepor todos movimentos, a injetora VE120 possui velocidade de injeção duas vezes superior às máquinas hidráulicas semelhantes.
Ambas as máquinas lançadas pela Negri Bossi são importadas, mas de acordo com Salmeron, a empresa já desenvolve protótipos com fornecedores nacionais e planeja iniciar a produção de máquinas hidráulicas no País em 2004.
Precursora das injetoras elétricas em joint venture com a japonesa Fanuc, a Milacron lançou oficialmente na Brasilplast a sétima geração das máquinas Roboshot, modelo 165 SI-B, com 165 toneladas de fechamento. Totalmente elétrica, a máquina dispõe de quatro servo-motores, que acionam movimentos por fusos de esferas circulantes.
Segundo o gerente geral Hugo Korkes, as características do modelo 165 SI-B são a precisão (repetibilidade de 0,01 mm); a rapidez (pode produzir dois baldes de um galão em sete segundos, operando com molde de duas cavidades); o baixo nível de ruído, de cerca de 72 decibéis; e a economia de energia, ao redor de 60% a 85%. Além disso, a 165 SI-B é uma máquina “limpa”, ou seja, adequada para a operação em sala limpa. Entre as novidades da sétima geração, Korkes destaca o aquecimento sincronizado do cilindro de injeção e a velocidade de injeção da máquina, que continua de 330 mm/s, alcançada em apenas 0,025 s. Também são equipadas com inteligência artificial na extração da peça para detectar rebarbas, pela oscilação do esforço para a extração. Detectadas mudanças nestes valores, um alarme sonoro é disparado.
| A 165 Si-B, produzida no Japão, é adequada para operação nos setores de telefonia celular, farmacêutico, de utilidades domésticas, alimentício e automotivo. |
Cuca Jorge |
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| Eltec: única elétrica de duas placas |
A alemã Krauss Maffei também está de olho no filão das elétricas. A empresa expôs a injetora KM 110-390 da série Eltec, já lançada na feira K e agora também no Brasil. “Esta máquina é a única elétrica com duas placas”, afirmou Renato Benatti, do departamento de vendas. O equipamento opera na injeção e plastificação dos materiais com sistema patenteado direct drive, em que um motor atua direto sobre a rosca, permitindo a construção de um equipamento compacto. A KM 110-390 tem força de fechamento de 110 toneladas, e durante a Brasilplast, operou com molde de 16 cavidades, em ciclo de injeção de 7,2 s. Importadas da Alemanha, as máquinas da Krauss Maffei tem seus principais nichos de atuação nos segmento de peças técnicas (telefonia celular) e no médico-hospitalar.
Convencional ainda domina - A maior parte dos expositores presentes à Brasilplast, entretanto, ainda foca seu fornecimento nas máquinas convencionais. A Arburg, da Alemanha, participou com sua linha de máquinas entre 15 t e 400 t de força de fechamento, aptas à operação em diversas especialidades, como preformas, multicomponentes e elastômeros, entre outras. A empresa expôs três máquinas: a Allrounder 720 S 3200-2100, com 320 toneladas de fechamento, produzindo baldes de 8 L em ciclo de 11 s; uma Allrounder 420 C, com força de fechamento de 130 toneladas, injetando tampas para garrafas em molde de 16 cavidades e ciclo de 5 s; e outra Allrounder 420 C, porém com força de 100 toneladas e desenho bi-componente, fabricando lentes de aumento em dois materiais plásticos.
| Cuca Jorge |
A participação da Arburg nesta edição da Brasilplast teve como principal mote o conceito da modularidade, traduzido na combinação de diferentes tipos de acionamentos (elétrico, hidráulico ou híbrido) e características de máquina (força de fechamento, distanciamento entre colunas e capacidade de injeção, entre outras), buscando a adequação às necessidades dos clientes. |
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| Injetora Arburg garante ciclo rápido |
Para evitar o super e o subdimensionamento de suas máquinas, a empresa também atua com produção dedicada, fabricando máquinas sob medida.
Entre as principais características das máquinas da Arburg, o gerente de tecnologia da subdisiária brasileira, Kai Wender destaca os acionamentos hidráulicos e repetibilidade de produção, além das altas precisão e produtividade. Outro ponto é o controle dos movimentos em closed loop (malha fechada) em tempo real, com tomadas de medidas a cada 10 milisegundos. “O comando dos movimentos é livremente programável, possibilitando maior flexibilidade da máquina com menor tempo de ciclo.
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A ferramentaria não fica limitada pela programação serial standard”, garante Wender, ressaltando que essa habilidade é exclusiva das máquinas da Arburg, todas fabricadas exclusivamente nas instalações industriais da empresa em Lossburg, na Alemanha. |
Cuca Jorge |
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| Máquina Engel permite injetar peças complexas |
Mas a Arburg já planeja a expansão de suas atividades no País, com a construção de uma sede própria, de acordo com Christoph Schumacher, líder das áreas de marketing e comunicação corporativa. “Acreditamos que a modularidade é a maneira correta para se competir, e é o ponto especial da atuação da Arburg”.
| Cuca Jorge |
Outra tradicional fornecedora de bens de capital para a indústria de transformação de plásticos, a também alemã Battenfeld expôs a TMS-1600/1000, com 160 t de fechamento, operando com molde de duas cavidades, na produção de copos de 200 mL para iogurte, em polipropileno. |
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| Battenfeld: servoválvulas nos movimentos |
Embora o tempo de ciclo para essa operação tenha sido de 2,3 s, no estande, é possível obter-se até 2,2 s em instalações apropriadas, conforme explicou Marcos Cardenal, do departamento de vendas da Battenfeld. A TMS-1600/1000 utiliza servo válvulas em todos os seus movimentos, e realiza o controle dos comandos em loop fechado, com tomadas de dados em até 2 ou 3 milisegundos. “Mas a resposta da válvula é mais lenta”, alerta Cardenal. Segundo ele, as velocidades de fechamento da máquina são calculadas por software, sistema ainda raro entre máquinas com velocidade semelhante à da TMS-1600/1000.
Outra injetora, a HM 1600/750 (160 t) atua com fechamento hidráulico central e placa apoiada em guia prismática deslizante, conferindo-lhe maior precisão. A Battenfeld também apresentou a Plus 350/75 (35 t de fechamento), segundo Cardenal, uma máquina de construção simples, mas precisa. “Embora a Plus 350/75 seja uma injetora de pequeno porte, ela utiliza os mesmo processadores que nossas máquinas maiores”, disse.
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