|
RESINAS CONSUMO RETRAÍDO NÃO INTIMIDA AS EXPANSÕES
Superados os maus momentos econômicos e políticos, que culminaram em alta acentuada nos preços das matérias-primas das resinas e, por tabela, nos preços destas, afligindo toda a cadeia do plástico no ano passado, um balanço dá indicativos de que a maioria das indústrias contornou as dificuldades e manteve, ainda, a boa saúde do setor. Algumas se reestruturaram e cortaram custos, como a Braskem e a DuPont. Outras mostraram fôlego e audácia para investir na adversidade, como a Polibrasil, que oficializa ao mercado a inauguração de sua nova fábrica de 300 mil toneladas anuais de polipropileno e US$ 217 milhões. A Innova também já tem pronto o projeto para duplicar sua capacidade de produção de estireno, e até a novata Polietilenos União já transformou em realidade os planos de construir nova fábrica e incorporar mais 150 mil t/ano de PEAD e PELBD à sua atual capacidade. O projeto caminha em paralelo à expansão da PqU. Nas entrevistas a seguir, o leitor também perceberá as empresas da segunda geração mais preocupadas em melhorar a relação com a indústria de transformação, apostando mais alto nas áreas de desenvolvimento, qualidade e prestação de serviços. É só conferir nas páginas a seguir.
PETROQUÍMICAS ARTICULAM A INTEGRAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA Marcelo Fairbanks
A indústria petroquímica brasileira enfrenta o desafio de promover a integração da cadeia produtiva dos plásticos no País, de modo a agregar valor aos produtos. Dessa forma será possível garantir a evolução estável do consumo de resinas e a rentabilidade de todos os elos da cadeia.
Ele salientou o fato de o valor dos produtos transformados ser, em média, duas vezes e meia mais elevado que o da resina exportada. Dadas as características petroquímicas de produção em regime contínuo e em larga escala, que dificultam o ajuste da produção às fortes oscilações de demanda, prever a evolução do consumo e planejar melhor a produção apresentam reflexos importantes nos resultados da atividade. Além disso, as acelerações e desacelerações da demanda, ainda muito dependentes dos humores da economia local, prejudicam a análise de investimentos, tendo provocado, muitas vezes, o adiamento de construção de novas capacidades produtivas. “Algumas pessoas argumentam que a indústria química não é forte geradora de empregos, mas a de transformação de plásticos, o elo seguinte da cadeia, absorve grandes contingentes de pessoal”, explicou Duque Estrada. Segundo informou, a cada mil toneladas adicionais de plásticos transformados no Brasil corresponde o acréscimo de um emprego e meio na área petroquímica, enquanto são gerados 55 novos postos de trabalho junto aos transformadores. “A transformação precisa de suprimento local de resinas a preços internacionalmente competitivos”, disse. Um forte obstáculo para isso reside no preço cobrado pela nafta petroquímica, principal insumo do setor no Brasil. A iminência de uma guerra na região do Iraque somada às turbulências venezuelanas deixam nervoso o mercado, com tendência de alta no petróleo. Já há algum tempo, o setor tenta renegociar a fórmula definida com a Petrobrás para a remuneração da nafta comercializada pela estatal, que considera a cotação européia do produto acrescido de um percentual fixo. Além disso, ainda permanecem a excessiva carga tributária, as deficiências de infra-estrutura e de logística, ao lado do elevado custo de capital. “Esse fatores do chamado Custo Brasil afetam mais alguns setores do que outros”, comentou Duque Estrada. “A indústria química, por ser de capital intensivo e apresentar etapas sucessivas na cadeia produtiva, é muito prejudicada.” A incidência de impostos em cascata é facilmente verificável, embora os movimentos mais recentes de fusão e incorporação de empresas tenham eliminado uma etapa de transferência. “Um estudo recente sobre a produção de um determinado artefato de PVC revelou a existência de oito etapas produtivas até a venda final ao consumidor”, disse. Uma análise ampla do setor petroquímico revela margens de lucro muito apertadas, como acontece em todo o mundo. Grandes capacidades produtivas foram inauguradas em vários países, enquanto a demanda pelos produtos finais regrediu, principalmente depois do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Há excedentes globais, que estão sendo lentamente absorvidos pela recuperação de mercados. Há indícios de elevação de preços, que devem atingir o ápice em meados de 2005. No Brasil, cresceu 8,24% o consumo aparente de termoplásticos (exceto PET) de 2001 para 2002, mas não foi capaz de ocupar a plena capacidade produtiva da petroquímica nacional. Como salienta Duque Estrada, o setor petroquímico não parou de investir. Exemplos disso são a inauguração da fábrica de polipropileno da Polibrasil em Mauá-SP, que superará e aposentará a unidade em operação, e também o projeto da Rio Polímeros, dos grupos Suzano, Unipar e Petroquisa, para 500 mil t/ano de polietilenos, em unidade integrada com forno de etano. No caso do poliestireno, os investimentos da Innova, Basf, Dow e Videolar tiraram o Brasil da relação dos importadores, colocando-o entre os exportadores líquidos da resina. A partir do levantamento de dados conduzidos pela associação, é possível verificar que alguns produtos ainda mantêm importações significativas, por exemplo, o polietileno de alta densidade, o PVC e o PET. Duque Estrada recomenda cautela na análise dos dados, pois durante 2002 houve paradas na Petroquímica União e na Copesul, afetando alguns movimentos. Além disso, no caso do PVC, há que se considerar a estratégia de algumas companhias de manter importações para especializar as fábricas locais em outras atividades também consumidoras de eteno. No caso do PET, é preciso considerar a lógica regional, pois há uma fábrica moderna em operação na Argentina que ajuda a suprir o mercado brasileiro. “De modo geral, a partir dos dados disponíveis, é possível verificar que a produção atende à demanda local, inclusive com sobras”, afirmou. No entender da Abiquim, o Brasil precisa investir mais na produção química. “O setor sempre investe de acordo com as possibilidades; se a economia dá sinais de crescimento, a indústria responde”, comentou. Mas, antes, será preciso reduzir o Custo Brasil, porque “ninguém investe para perder dinheiro.” Cadeia unida – A cadeia produtiva de termoplásticos no Brasil apresenta um déficit comercial médio de US$ 1 bilhão por ano, nos últimos seis anos, somando o desempenho da área de resinas e a de transformados. Com o incentivo competente, a cadeia pode reverter esse quadro, garantindo superávit de US$ 1,8 bilhão ao ano, dentro de poucos anos. Segundo a Abiquim, só os Estados Unidos importaram, em 2001, US$ 12,7 bilhões em plásticos transformados, dos quais apenas 0,46% teve origem no Brasil. O grosso dos negócios foi feito com países asiáticos. A fim de conquistar espaço no exterior, a Abiquim e a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) desenvolvem um programa conjunto, que começará pela pesquisa de oportunidades e capacitação da cadeia produtiva. “É preciso atender às exigências de qualidade e design, nem sempre iguais às do Brasil”, explicou. Segundo o vice-presidente, a indústria de transformação nacional precisa de investimentos principalmente na área de moldes. Além dos aspectos técnicos, um problema a contornar junto aos transformadores é a baixa escala produtiva. Embora o dirigente reconheça que o porte dos transformadores nacionais tenha crescido nos últimos anos, alguns até já se iniciando sozinhos nas exportações, em geral o segmento não teria capacidade produtiva, nem financeira, para suportar sequer os pedidos experimentais dos compradores norte-americanos, por exemplo. “O tamanho dos lotes é monstruoso para o padrão nacional”, explicou. Outro entrave consiste no domínio dos mecanismos logísticos e burocráticos envolvidos nas operações internacionais. “Os compradores já querem contratar no regime deliver duty paid (DDP), ou seja, pedem a mercadoria entregue no local, totalmente desembaraçada”, comentou. Em geral, a indústria nacional está acostumada com os sistemas FOB ou CIF. “Para o DDP, o exportador precisa contar com depósitos significativos no país do importador”, salientou. Todos esses problemas podem ser entendidos como custos. Pela proposta das entidades, boa parte desses custos pode ser repartida entre os elos produtivos e agências oficiais de promoção do comércio exterior, como a Apex. A questão da escala pode ser equacionada pela montagem de um pool de transformadores, a ser organizado pela Abiplast. Algumas iniciativas já foram tomadas. Na parte de normalização de produtos, a Abiquim atua junto à ABNT para padronizar as resinas. Enquanto isso, o Instituto Nacional do Plástico desenvolve a normalização dos transformados. As entidades setoriais apresentaram o projeto de incentivo às exportações à Agência de Promoção de Exportações (Apex) do governo federal. O custo estimado do projeto beira os R$ 10 milhões, a aplicar durante dois anos, metade dos quais bancados pela entidade federal, 38% pelos produtores de resinas e matérias-primas, e 12% pelos transformadores. “Há excedentes de resinas de quase um milhão de toneladas e a capacidade ociosa na transformação chega a 25%, indicando a possibilidade de se obter resultados quase imediatos”, comentou Duque Estrada. n
BASF SUPRE MERCADO COM NOVAS BLENDAS E RESINAS Márcio Azevedo
A transnacional alemã Basf estará presente na Brasilplast 2003 com sua linha de produtos para as indústrias automobilística, de embalagens, de eletroeletrônicos e de refrigeração, entre outras, originárias das unidades de negócios Termoplásticos, Poliuretanos e Pigmentos e Masterbatch. No segmento de termoplásticos, a Basf produz espumas plásticas, plásticos de engenharia e polímeros estirênicos. Durante a feira, a empresa anunciará o lançamento de um elastômero termoplástico em seqüência de blocos duro-macio estireno e butadieno que chega ao mercado em 2003. O polímero possui grande resistência ao impacto, boa recuperação elástica, alta permeabilidade ao oxigênio e ao vapor d’água, e pode ser adequadamente utilizado em embalagens de filmes para a indústria alimentícia, ou como reforço ao poliestireno, com o objetivo de elevar sua resistência ao impacto, particularmente em baixas temperaturas. Outra novidade da área de termoplásticos é o Ecoflex, segundo a Basf, um dos primeiros polímeros totalmente biodegradável. Com propriedades semelhantes às do PEBD, a nova resina é especificamente útil na produção de filmes. Embalagens feitas do material sofrem decomposição pela ação de microorganismos, produzindo resíduos orgânicos como água, dióxido de carbono e biomassa. Outro produto desenvolvido pela Basf recém-chegado ao mercado é uma mistura à base de poliamida e ABS com excelente resistência contra impactos e altas temperaturas, boas propriedades acústicas e boa processabilidade. A Basf afirma que não há concorrentes no mercado para o produto, que será comercializado na América Latina, no Nafta, na Ásia e na Europa. A blenda tem grande aplicação em autopeças (console, bocal de ventilação, câmbio, pára-choques, espelhos e outras), mas também pode ser utilizada em caixas de computadores e ferramentas de uso doméstico. O segmento de poliestirenos de alto impacto transparentes também reserva novidades: a nova geração de copolímeros SBS em bloco. A segunda geração da linha oferece excelente resistência ao impacto, além de boas características de brilho, transparência e processabilidade. O produto é esterilizável por raios gama, e aumenta as propriedades mecânicas de misturas com poliestireno cristal. No campo das poliamidas, a Basf lança novo grade de náilon ideal para aplicações em embalagens de alimentos com barreira ao oxigênio (filmes extrudados multicamadas). O polímero também oferece barreira ao sabor e ao aroma, aliados a boas propriedades mecânicas, alta transparência e estabilidade térmica. Ainda nas aplicações de extrusão, a empresa anuncia o lançamento de um PBT (polibutileno tereftalato) de alta viscosidade, durabilidade e rigidez. Suas propriedades o tornam adequado para o uso em cabos ópticos (mercado de telecomunicações) e na produção de cerdas para escovas de dentes e afins. A Basf considera a Brasilplast uma excelente oportunidade para estreitar relacionamentos com o mercado e gerar novos negócios, mas também promover o intercâmbio de informações. Participará da feira com um estande de 228 m2, usando como pano de fundo o tema desenvolvimento sustentável. A empresa é hoje uma das maiores produtoras de poliestireno da América do Sul, com 25% do seu faturamento vindo de vendas ao exterior. A unidade de plásticos de engenharia espera crescer 10% em 2003, amparada pelas novas aplicações na indústria automobilística e pela expansão das vendas no mercado de extrusão. No segmento de espumas plásticas, registrou participação de 48% em 2002, e projeta crescimento de 3% acima do PIB em 2003. Também no segmento de poliuretanos espera bom desempenho em 2003, alavancado pela retomada da tendência positiva nas indústrias automobilística e de refrigeração.
BAYER BRINDA 50 ANOS DE EXISTÊNCIA DO POLICARBONATO Márcio Azevedo A Brasilplast em 2003 será palco para o PC, no estande da Bayer. a realização da feira coincide com os aniversários de 50 anos da descoberta da resina pela empresa, e de 20 anos da invenção do CD, uma das principais aplicações. Será também uma grande oportunidade para a divulgação da marca Bayer Polymers, recentemente consolidada, e que será o maior destaque da empresa na feira. A intenção é mostrar aos clientes presentes à feira, que antes reconheciam o estande da Bayer pelos produtos plásticos, toda a gama de produtos envolvida na nova divisão (adesivos, coatings, borrachas e filmes).
A alta do dólar, além dos efeitos cambiais óbvios, provocou também a alta da inflação, cuja conseqüência final as indústrias nacionais já puderam detectar: a queda no consumo. Na Bayer Polymers, a comparação entre os volumes vendidos em janeiro de 2002 e janeiro de 2003 aponta redução de cerca de 10%. Sobre 2003, Yano revela preocupações idênticas àquelas que se ouvem em todo o setor produtivo: as incertezas do ano recaem sobre o desfecho da guerra iminente entre Iraque e Estados Unidos, suas conseqüências sobre os preços do petróleo, e, no plano interno, o desempenho do governo Lula e a inflação. Até agora, porém, a administração petista não assusta: “As primeiras decisões são bastante sensatas e o mercado está mais otimista”, disse. A divisão de polímeros da alemã Bayer, efetivada em janeiro de 2003, produz polímeros estirênicos (ABS, SAN, ABS/PC, ABS/PA e ASA), policarbonatos e polímeros semi-cristalinos (PBT, nylon 6 e 6.6, e poliamida semi-aromática). Os estirênicos são bastante usados em linha branca. Impressoras, por exemplo, tem boa demanda por SAN. Grande parte das aplicações nesse segmento utiliza PS, mas quando as propriedades desse polímero não se adequam às necessidades, os outros polímeros da linha (ABS, ABS/PC, ABS/PA e ASA) podem ser utilizados. Outra opção é o PS de alto impacto. Essa resina, entretanto, é opaca, sendo comumente substituída pelo SAN, em aplicações que demandam maior transparência, ou pelo PC, quando as necessidades de transparência são combinadas a requisitos de resistência mecânica ainda maiores. Lentes de faróis e CDs são feitos de PC pois, embora as aplicações não criem demandas severas por resistência, é muito importante nesses casos a transparência do material plástico utilizado. A resina também encontra mercados na indústria de eletro-eletrônicos, mas está sendo paulatinamente substituída no segmento de garrafões para água. Os polímeros semi-cristalinos são bastante utilizados na indústria de eletro-eletrônicos, particularmente em aplicações que exigem grande resistência térmica. As resinas podem ser utilizadas também na indústria automotiva, em aplicações denominadas under the hood (abaixo do capô): são peças como o coletor de admissão e a tampa do comando de válvula, em que as principais propriedades solicitadas são as resistências química e térmica. De acordo com Yano, os principais produtos da empresa são as resinas com alta resistência a intempéries – ABS/PC com resistência aos raios UV – para peças externas e sem pintura. “O policarbonato para altas temperaturas tem elevada aceitação e alta demanda”, explicou. Para o executivo, o mercado nacional de resinas é bastante
equiparado tecnologicamente com os mercados mais modernos. As
indústrias automotiva e de telecomunicações têm qualidade global,
fato que provoca demanda por produtos de qualidade global em toda a
cadeia de fornecedores de insumos.
|
|||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||