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PARQUE É OBSOLETO E SEM ESTÍMULO MOLDADOR NÃO INVESTE As dificuldades de acesso aos financiamentos para compra de equipamentos novos inviabilizou a substituição de máquinas antigas para a maioria das pequenas e médias empresas do setor. Na opinião do vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico e gerente de vendas da Bekum do Brasil, Fernando Moraes, o cenário da indústria de máquinas de sopro é assim sombrio, porém não é desanimador.
“A indústria está apática e receosa para promover mudanças. Trata-se de uma questão de cultura, alguns remédios já poderiam usar a frascaria em plástico”, observa. No entanto, ele previu boas possibilidades de se repetir a trajetória da frascaria destinada ao refrigerante. Ou seja, a partir do momento em que a sociedade se conscientizar dos benefícios do plástico em substituição ao vidro, esses nichos serão atingidos pela indústria de transformação por sopro, aquecendo o mercado como um todo. Em 2002 a alta do dólar e a variação cambial tiveram reflexos avassaladores na atividade econômica do País, sobretudo, no que se refere aos importadores. Porém, as empresas nacionais ou multinacionais com fábricas instaladas no Brasil saíram um pouco ilesas. Conforme aponta Moraes, a Bekum, empresa de origem alemã com fábrica de sopradoras instalada em São Paulo, registrou crescimento da ordem de 8% em relação a 2001. Ele avalia esse percentual com entusiasmo. “Esses números provaram que o País oferece possibilidade de avanço”. As dificuldades operacionais na obtenção de financiamentos, na opinião de Moraes, são um dos grandes vilões do setor. A situação atual, inclusive, é um contra-senso. Por um lado, as linhas de crédito foram criadas para desemperrar os negócios, sobretudo, dos médios e pequenos industriais. Mas esse chamado público-alvo não tem acesso aos financiamentos, devido à elevada exigência das financiadoras. Em função desse problema, muitos alegam não ter condições financeiras para renovar o parque industrial brasileiro. Nas estimativas de Moraes, cerca de 70% do maquinário é obsoleto. “A indústria de máquinas tem potencial para oferecer o que há de melhor no ramo, o que falta é verba dos clientes para viabilizar a compra”, afirma. Máquinas modernas, na avaliação dele, além de serem mais competitivas, propiciam economia, mantêm a qualidade e a estabilidade do processo, aumentando dessa forma o aproveitamento e a segurança. Além de oferecer máquinas com tecnologia avançada, as indústrias apóiam-se em portafólios diversificados, na prestação de serviço diferenciado e na compreensão das necessidades do cliente - caso da Bekum, na concepção de Moraes. Para ele, a fidelização do cliente tornou-se ferramenta de extrema importância para a indústria de máquinas e para isso, além de investir em equipamentos de qualidade, é necessário ultrapassar as barreiras da comercialização imediata e incrementar o pós-venda, com assistência técnica, fácil manutenção do maquinário e treinamento constante dos profissionais. A Bekum conta com cerca de vinte modelos de máquinas projetadas para extrusão contínua ou acumulação. Um dos destaques da marca é a máquina H-155. Resultado da implantação de novo sistema hidráulico proporcional, seu desempenho centra-se na alta produtividade, em parte por conta dos movimentos de alta velocidade, suavidade e precisão do carro e do molde. A máquina também possui conjunto de calibração articulada, permitindo seu deslizamento, com o propósito de facilitar a troca do molde, ou seja, uma sensível redução no tempo do set-up. Tendência anunciada - Entre as novidades reservadas para o setor neste ano, Moraes antevê o avanço do consumo do polipropileno sobre o polietileno. Por requerer embalagens cada vez com mais brilho e transparência, o mercado deve crescer nesse sentido. Vislumbram-se aí novidades mecânicas e de engenharia das sopradoras para acompanhar essa tendência. Trazida ao Brasil pela Bekum, a tecnologia para o polipropileno biorientado também deve ganhar espaço neste ano. Apesar de ter sido introduzido em 2001, o conceito não deslanchou e Moraes considera que levará um tempo até se consolidar no mercado brasileiro. O PP biorientado tem condições para substituir o PET em todos os mercados nos quais atua, com exceção do da bebida gaseificada. A troca seria vantajosa, segundo Moraes, sobretudo porque o PET dispõe de um número insuficiente de planta local e grande parte dessa matéria-prima é dolarizada. “Em pouco tempo, o empresário vai se perguntar se vale a pena continuar com o PET”, acredita Moraes. Mais importante do que qualquer tendência tecnológica, o industrial está cada vez mais buscando meios de enxugar os gastos. Por isso, a crença na utilização de máquinas para a operação com PP biorientado.
SETOR SE ESFORÇA PARA ACOMPANHAR AS EVOLUÇÕES NAS RESINAS
As oscilações da economia devem afetar pouco os negócios durante a Brasilplast. Especialistas do setor prevêem um bom desempenho da indústria de máquinas para este ano e apresentam expectativas otimistas quanto à atualização tecnológica do parque industrial de transformadores do plástico. Na avaliação do gerente comercial da J.A.C, fabricante de sopradoras, de Americana-SP, Cristiano Cava, 2002 foi marcado por fortes mudanças, tornando a economia desestabilizada e necessitada de recursos externos que comprometeram ainda mais o mercado interno. Por conta dessa conjuntura, aumentou a concorrência e a desvalorização das máquinas de transformação do plástico por sopro.
No ano passado, a J.A.C registrou aumento de vendas de cerca de 35% em relação a 2001. Para 2003, as expectativas apontam acréscimo da ordem de 30% em relação a 2002, o que representaria a comercialização de 36 máquinas. Cava dá uma possível explicação para esse avanço. “A alta de consumo beneficiou os fabricantes de máquinas nacionais que procuram utilizar em sua produção componentes feitos no País, a fim de que seu produto final chegue a um preço mais atrativo, em função da alta da moeda mundial”. Outra justificativa seria a parceria com fabricantes de equipamentos para a indústria plástica. A J.A.C, por exemplo, conta com vários acordos firmados, a partir dos quais foi possível oferecer melhorias de processos ao transformador. A empresa é parceira da Atos, fabricante nacional de microprocessadores; da Vickers, empresa atuante no ramo de unidade hidráulica, e da européia Moog, indústria de válvulas e de microprocessadores. “Conseguimos incrementar a capacidade produtiva da J.A.C, tornando-a apta a competir de igual para igual com os melhores fabricantes de máquinas do mundo”, ressalta Cava. Entre as novidades propostas, figura o empenho de transformar equipamentos convencionais em máquinas automatizadas e cada vez mais produtivas. De acordo com Cava, 60% dos clientes hoje necessitam de máquinas automatizadas. Isso traça um novo cenário para o setor nos próximos anos. “As máquinas de grande porte e automatizadas vão se consolidar no mercado brasileiro em breve”, prevê. Para ele, o transformador pode até não ter condições financeiras para investir. O preço varia de 20% a 30% a mais, se comparado ao das máquinas tradicionais. Mas, o mercado exige esse aprimoramento, de forma cada vez mais intensa. “O transformador quer alta produtividade, total automatização e precisão da máquina”, observa. No ano passado, 30% das vendas da J.A.C foram de sopradoras por acúmulo para fabricação de produtos de 10 L a 100 L, comprovando a procura por máquinas de grande porte. Outra tendência apontada por Cava fica por conta do empenho da indústria de máquinas em aperfeiçoar o perfil da rosca e a tecnologia do cabeçote, para receber resinas que conferem mais transparência ao produto transformado, como o polipropileno (PP) clarificado. “O setor vai acompanhar o avanço dos produtores de resina”, comenta. Se depender da expectativa do gerente, a concorrência entre o polietileno tereftalato (PET) e o PP vai se tornar ainda mais acirrada nos próximos anos, com possível vantagem para o PP, em função do alto preço do PET. “Essa disputa vai estimular o fabricante de máquinas a oferecer ao transformador mais tecnologia, rapidez e precisão, para que o PP possa ter vantagem competitiva frente ao PET”, afirma. De acordo com Cava, a participação na Brasilplast possibilitou à J.A.C se tornar mais conhecida e alcançar o mercado latino-americano. Desta vez, a empresa expõe sopradora de sopro superior por acúmulo, equipamento lançado, em um primeiro momento, na versão com capacidade de 20 litros. A máquina, denominada Maximus 20ss, conta com opcionais como rebarbação, estampagem hidráulica e saída lateral automática, microprocessador CLP incorporado ao programador de parison de 64 / 128 pontos, e cabeçote acumulador, entre outros itens. De acordo com Cava, o lançamento é novidade no País, pois se trata de máquina sopradora de grande porte, totalmente automatizada. Apesar de ter o interesse de se mostrar para os clientes internacionais, a prioridade da J.A.C é o mercado interno. “Diante da desestabilização dos países vizinhos, o Brasil é nosso maior foco”, explica. No ano passado, a J.A.C destinou 15% da produção ao mercado externo. Em 2003, a empresa deve manter o mesmo percentual, sobretudo porque aposta no aquecimento do mercado interno. “A América do Sul, principal mercado do setor está com problemas políticos e econômicos”, comenta Cava. Outra vantagem do mercado interno sobre o externo está nos investimentos prometidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na opinião de Cava, é esperado aumento do consumo do brasileiro, em relação ao ramo de bebidas e ao de alimentos. Por conseqüência, a demanda pelas máquinas de sopro acompanhará essa evolução.
PRODUTIVIDADE AUMENTA MAS NÃO COMPENSA O ALTO CUSTO DAS RESINAS
O ano de 2002 fechou anunciando boas perspectivas para 2003. Segundo o gerente de marketing da Pavan Zanetti, de Americana-SP, Newton Zanetti, ainda é precoce prever o desempenho do setor neste ano, mas a indústria do plástico vive um momento otimista. “Não temos ainda avaliação segura sobre o comportamento do setor. Vai depender da atuação do novo governo em relação ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no financiamento de empresas, e também das negociações de preços entre fornecedores e compradores de embalagem”, afirma. Apesar de os fabricantes de embalagens terem conseguido aumentar a produtividade média de seus equipamentos, o custo principal advém do preço das resinas, oscilante nos últimos tempos em função da alta do dólar.
Na opinião do gerente, hoje os transformadores solicitam máquinas de alta produtividade e confiabilidade, o que não se traduz necessariamente em complexidade e sofisticação. O segredo, segundo ele, é investir em diversidade. Ou seja, dispor de máquinas produtivas e ao alcance de empresas de pequeno, médio e grande porte, com tecnologia acessível ao controle do usuário e com facilidades de manutenção. Para Zanetti, existe um público bastante significativo de compradores sem grandes contratos ou tampouco atuantes com volumes muito expressivos de produção. Nesses casos, o importante é oferecer no portafólio máquinas versáteis, de fácil troca de moldes e de boa confiabilidade. Zanetti prevê para 2003 forte inclinação do setor para a automatização das máquinas de médio porte de acumulação, devido à necessidade cada vez maior do industrial de garantir a segurança e a saúde do trabalhador, que ao rebarbar as peças corre muitas vezes riscos de acidentes ou de doenças ocupacionais. Também promissor deve ser o desenvolvimento de novos produtos soprados em polietileno tereftalato (PET) e polipropileno (PP). “Temos grande confiança nesses segmentos”, comenta. De imediato, Zanetti aposta em avanços, a serem conhecidos nesta nova edição da Brasilplast, na área de moldes. A contribuição da empresa fica por conta de novos comandos (CLP), melhorias no desempenho de extrusão com novas roscas, aperfeiçoamentos na velocidade de processamento com modificações no sistema hidráulico e para aprimorar a embalagem, inéditos cabeçotes de extrusão contínua. Avanços territoriais – Outra aposta para os próximos anos é a abertura de novos mercados em âmbito nacional. Os negócios concentrados nas regiões Sul e Sudeste devem se dissolver pelo País. Segundo expectativa de Zanetti, o Nordeste poderá aquecer as vendas ainda neste ano. Ele se baseia na possível volta da Sudene, o que se refletirá em investimentos altos na região. A indústria de sopro também conta com forte participação no Centro-Oeste. “O consumo nessa região vem crescendo ano a ano”, afirma. Com atuação no mercado internacional desde 1978, a Pavan Zanetti intensificou gradualmente a penetração no exterior. No início da década de 90, a empresa passou a focar esse nicho de mercado, estipulando exportar de 20% a 25% da produção total. No entanto, com o advento da crise argentina, a Pavan foi obrigada a frear as exportações. O país era um dos seus principais mercados. Porém não há como negar, exportar compensa possíveis problemas no mercado interno, sobretudo, em função da atual conjuntura econômica nacional. Por conta desse imperativo, a Pavan Zanetti confia na retomada de crescimento, a partir de sua participação em novos mercados, como o mexicano. A atual meta é voltar aos tempos áureos e exportar entre 20% e 25% do volume produzido em 2003. No ano passado, a empresa destinou ao mercado internacional 17% de sua produção. O percentual projetado para este ano já tem destino certo. Além do México, países como Argentina, Bolívia, Peru e Colômbia devem ser os principais clientes internacionais da Pavan. Na concepção de Zanetti, existem muitas semelhanças entre as exigências desses transformadores e as dos brasileiros. Apesar da aparente facilidade de penetrar nesses mercados, no entanto, é preciso ter cautela e agir de acordo com as oscilações cambiais. “Temos de torcer para o dólar se estabilizar senão se torna difícil uma política de preços visando às vendas externas”, diz. Além do mercado exterior, a Pavan antecipa-se em proteger as vendas internas, sobretudo, porque está cada vez mais acirrada a concorrência internacional. Tendo em mente a visibilidade promovida pela Brasilplast em âmbito nacional e internacional, essa nova edição da feira tem um papel bem particular: a divulgação dos produtos para exportação. Na ocasião, a Pavan investe na apresentação das sopradoras da série Bimatic. As máquinas são de sopro por cima com rebarbação automática, esteiras de transporte e reaproveitamento de rebarbas com moinhos acoplados ao sistema. Os modelos expostos são a BMT 3.6D com duas estações de sopro e a BMT 6.0S com uma estação de sopro (capacidades até 3 L e 6 L). Também está na exposição o modelo tradicional de injetora, a Unijet-250V, com força de fechamento de 120 toneladas e hidráulica proporcional de 270cm³, bomba variável e hidráulica proporcional. Zanetti antecipa ainda o lançamento da sopradora de acumulação para 30 litros, modelo HDL 30/60L com rebarbação automática.
MOLDADOR QUER TECNOLOGIA PARA REDUZIR CICLO E MÃO-DE-OBRA
A cada ano aumenta a demanda por sopradoras com tecnologia mais avançada e por máquinas e moldes de maiores dimensões, produzindo mais embalagens por ciclo rápido com menos operadores. Para o diretor comercial da Tecnoinjet, de São Paulo, Antonio M. S. Lopes, hoje, investir nestes quesitos é palavra de ordem para as empresas terem condições de garantir qualidade e pontualidade. No entanto, na sua avaliação, apesar de ser uma tendência para a indústria de sopro, as máquinas de grande porte não estão acessíveis a todos os transformadores, por causa da dependência a contratos de fornecimento, um dos atuais empecilhos da indústria de transformação do plástico.
De acordo com Cachum, até 2008, o Fórum de Competitividade da Indústria de Transformação do Plástico e o Ministério da Indústria e Comércio Exterior têm expectativa de investir US$ 6,8 bilhões em recursos para a compra de máquinas, moldes e outros ativos fixos. Um dos objetivos desse investimento seria o de ampliar as exportações anuais de 90 mil toneladas para 500 mil toneladas dentro dos próximos três ou quatro anos. Para alguns, o salto é muito alto, como constata Lopes. Ele afirma que apesar de querer ser otimista, essa meta depende de uma série de fatores tanto nacionais quanto internacionais, dos quais o industrial brasileiro não tem controle. “Quanto às exportações, o ano vai ser bastante incerto e turbulento”, diz. Uma das razões para justificar essa previsão seria a fragilidade do mercado latino-americano, principal comprador das máquinas nacionais. A Tecnoinjet, por enquanto, se concentra no mercado interno. Mas nada a impede de, no curto prazo, ampliar a participação fora do País, sobretudo, porque a empresa está em fase de reestruturação da equipe. O empecilho para esse crescimento, de acordo com Lopes, não depende muito do industrial, mas sim do governo. “É preciso atuar na desburocratização nacional e fortalecer as economias vizinhas”, pede. Na avaliação de Lopes, o setor de sopradoras conta com algumas empresas com níveis excelentes, porém isso ainda é uma minoria. Por conta dessa característica, Lopes mostra precaução em suas estimativas. “Se o mercado nacional aquecer como as previsões de muitos indicam, certamente, os fabricantes de modo geral não conseguirão atender toda a demanda”, enfatiza. Para Lopes, o fabricante nacional tem condições de oferecer suporte técnico no pré e pós-venda, cumprir prazo de entrega e entender as necessidades dos consumidores. Ou seja, conta com importantes diferenciais frente à falta de recursos financeiros para atuar com grandes volumes de produção e inovações tecnológicas. Feira - Lopes aposta na amplitude e na tradição da feira. Na sua opinião, a cada nova edição, o evento atrai grandes industriais do setor e traz sobretudo à Tecnoinjet a oportunidade de se mostrar no mercado de sopro. A empresa atua nesse segmento há cerca de três anos, como herdeira das sopradoras fabricadas pela então Semeraro/Uniloy. “Este ano deverá ser melhor do que o passado”, afirma Lopes. No entanto, ele faz uma ressalva. Conforme aponta, o setor tem como característica atuar com itens produzidos sob encomenda. Por esse motivo, por mais que os negócios sejam feitos ainda em 2003, neste período haverá apenas indícios do aquecimento do mercado. Os resultados devem ser notados a médio e longo prazo, sobretudo porque não há garantias do efetivo crescimento.
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