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Investir para exportar - Garantir a presença maciça de expositores, compradores e visitantes estrangeiros torna-se mais essencial ainda no momento em que a indústria brasileira do plástico aposta tudo na conquista do mercado externo. A meta traçada pelo Fórum de Competitividade da Indústria de Transformação do Plástico – programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) que reúne representantes do empresariado, governo e trabalhadores na busca de soluções para os gargalos do setor e de oportunidades de desenvolvimento – é ampliar as exportações anuais da média atual de 90 mil toneladas para 500 mil t nos próximos três a quatro anos. Para isso, estão previstos investimentos da ordem de US$ 6,8 bilhões na compra de máquinas e moldes e na modernização.
Galgar posições no mercado mundial, contudo, não depende somente de tonelagem de vendas. Também é preciso ganhar valor. Nesse sentido, prega-se a transformação do Brasil num exportador de transformados plásticos que, segundo a Abiquim, têm um valor agregado quatro vezes superior ao das resinas. Segundo Merheg Cachum, presidente da Abiplast, o grande diferencial da indústria brasileira está na capacidade produtiva, na qualidade e no preço final dos produtos. “Hoje, a indústria está preparada para produzir produtos com excelente qualidade e preços competitivos para o mercado internacional”, analisa ele. Falta, no entanto, investir um pouco mais na incorporação de novas tecnologias e no design de produtos acabados.
O esforço exportador das indústrias brasileiras ligadas ao setor de plástico já vem dando alguns resultados. De acordo com os dados mais recentes da Abiquim, as vendas externas de resinas (exceto PET) aumentaram 9,4% em 2002, chegando a 610 mil toneladas. No caso específico das resinas termoplásticas, o volume de exportações foi ampliado em 4,5%, enquanto o de importações diminuiu 2,3%. No ano passado, apesar de uma conjuntura econômica interna turbulenta, a produção total de resinas termoplásticas no país cresceu 3,9%, bem mais do que os 2,4% de expansão registrados pela indústria em geral, chegando a 3,5 milhões de toneladas aproximadamente e somando um faturamento de US$ 3 bilhões do total de US$ 19 bilhões arrecadado pela fabricação de produtos químicos de uso industrial (que respondem por cerca de 50% da receita da indústria química brasileira). As resinas termofixas, faturaram US$ 400 milhões; os elastômeros, US$ 500 milhões; os produtos intermediários para resinas e fibras, US$ 1,5 bilhão; os produtos intermediários para plastificantes, US$ 200 milhões e os plastificantes, US$ 100 milhões.
Os fabricantes de máquinas para plástico também registraram um desempenho positivo em 2002. Os dados mais recentes disponíveis na Abimaq apontam um crescimento de 16,3% no faturamento do segmento no acumulado entre janeiro e novembro, período em que a indústria de máquinas em geral registrou um movimento de R$ 31,4 bilhões, 12,8% superior ao de janeiro-novembro de 2001. A balança comercial do setor também apresentou melhora, com aumento de 1,31% nas exportações e redução de 14,8% nas importações. Com isso, houve redução expressiva do déficit, que passou de US$ 3,42 bilhões no acumulado até novembro de 2001 para US$ 2,38 bilhões no mesmo período do ano passado. Com um fator positivo adicional: aumentaram as vendas para os países desenvolvidos (28,2% no caso dos Estados Unidos, 23,6% no do Canadá e 84% no do Reino Unido). Os fabricantes de máquinas incrementaram sua competitividade e abriram caminhos mais largos nesses e em outros mercados – como Ásia, Oceania, Europa Oriental e Oriente Médio – , até em função da crise da Argentina, que era a segunda maior importadora de máquinas produtoras de plástico brasileiras.
Baixo consumo - Se já é bom, o desempenho da indústria brasileira do plástico, com crescimento médio anual de 10% nos últimos anos poderia ser ainda muito melhor, acreditam os empresários e as entidades de classe do setor. De acordo com estimativas da Abiplast e do Siresp, baseadas na produção de 4,4 milhões de toneladas de matérias-primas e de 3,78 milhões de t de produtos transformados em 2000, com faturamentos de 3,9 bilhões e 9,8 bilhões de dólares, respectivamente, o país é hoje o sexto maior produtor e o sétimo maior consumidor de plásticos do mundo, absorvendo 2,8% do total da demanda. Mas o consumo per capita ainda é muito baixo. Nesse quesito, estamos em 22º lugar no ranking internacional, com um índice de 21 kg anuais por habitante. No caso dos polietilenos, por exemplo, os brasileiros consomem apenas 7 kg por ano, em comparação com os 44 kg dos EUA, 36 kg da Europa e 10,7 kg da Argentina. No campo do PET (polietileno tereftalato), a demanda total do país é um pouco mais representativa, correspondendo a 4,8% do mercado mundial, avaliado em 7,5 milhões de toneladas no ano de 2001. Mas o consumo per capita brasileiro é ainda menor do que o de poliestireno, atingindo apenas 2 kg anuais por habitante, em comparação com os 7 kg da Itália e 4 kg da Argentina.
O grande entrave à ampliação do consumo é, obviamente, a baixa renda da maioria da população brasileira. “Em algumas regiões, praticamente não se usam descartáveis”, constata Evaristo do Nascimento, da Alcântara Machado. Mas há outros obstáculos, como o próprio ciclo de amadurecimento da demanda. O PET, por exemplo, chegou tarde ao Brasil – só em 1988, sendo utilizado primeiro pela indústria têxtil e ganhando expressão no mercado de embalagens apenas a partir de 1993. Outra barreira, segundo Alfredo Sette, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens PET (Abepet), é que o país, terceiro maior consumidor de refrigerantes do mundo, ainda está muito voltado para a tecnologia do sopro, utilizada na embalagem desses produtos. No entanto, o PET pode ser mais usado em outras aplicações, como embalagens de remédios e até de perfumes, a exemplo da japonesa Shiseido, se se investir também na tecnologia de injeção. Mesmo no caso das garrafas, o consumo tem muito espaço para crescer no campo dos óleos comestíveis e águas minerais, por exemplo. “Parece que o Brasil é o paraíso do PET, mas não é”, observa Sette. “Países que investem mais do que o nosso em políticas ecológicas, como França e Itália, consomem muito mais PET.”
Exatamente para ampliar a consciência ecológica e conscientizar a sociedade das vantagens do PET, a Abepet organizou o único seminário que acontecerá na Brasilplast 2003: “A Embalagem PET e seus Benefícios Ambientais”. Programado para os dias 12 e 13 de março, o evento debaterá, no primeiro dia, o mercado mundial do PET e sua utilização em diversos países e regiões, como EUA, Canadá, Ásia e Europa, assim como as diferentes legislações e práticas de reciclagem. No segundo dia, os temas vão das tendências de produção de embalagens de PET à análise de seu ciclo de vida e políticas de reciclagem no Brasil. “A reciclagem é uma questão que deve ser tratada por todos os agentes sociais”, prega Sette. Desde o consumidor, que precisa se conscientizar de seu papel e descartar corretamente o material, ao governo federal, que tem de estabelecer diretrizes, e os governos municipais, que deveriam organizar sistemas de coleta seletiva do lixo e fomentar a criação de cooperativas de catadores de PET. O ciclo, claro, se completa na indústria, que precisa absorver o material coletado.
A Abepet convidou ambientalistas, técnicos, representantes do governo e da indústria e também catadores de PET para assistir ao seminário no auditório do do Anhembi, onde cabem 350 pessoas. “A idéia é sair de lá com uma proposta de diretrizes para a reciclagem de PET”, afirma Sette. Mesmo porque, ao lado do fator ecológico, pesa também o potencial econômico do PET reciclado. Há muitas novidades nesse campo, como os tubos de esgoto com a marca Turbopet, para serem utilizados em construções e que custam menos do que os tubos convencionais por serem fabricados a partir de PET reciclado verde, de menor valor. Um projeto mais embrionário é o da telha de PET, que já vem com pintura e proteção UV. Ela ainda custa mais do que as telhas de barro, mas por ser mais leve permite economizar nos outros materiais da construção, como o madeiramento do telhado.
O que há de novo - As novidades da Brasilplast 2003, claro, vão muito além do PET. E são muitas. A Bayer, por exemplo, vai destacar em seu estande as espumas de poliuretanos utilizadas como isolantes térmicos em refrigeradores ou em construções, como a mais recente linha de metrô na zona sul de São Paulo. A Blufer Equipack, de Blumenau-SC, apresentará enfardadeiras para frascos soprados, projetadas para operar com grandes escalas de produção. A divisão Masterbatches da Clariant mostrará uma nova linha de efeitos especiais para masterbatches coloridos, destinados a embalagens plásticas, enquanto a divisão de pigmentos e aditivos promete três novos pigmentos e o lançamento do Licocene PP 6100, cera polipropilênica polimerizada recomendada para a fabricação de concentrados de pigmentos de alta qualidade.
A Flock Color vai levar para o Anhembi novas máquinas de vacuum forming, seladora blíster modelo carrossel, máquina de corte e vinco, embaladoras de encolhimento conjugado e túnel de encolhimento. A Incoe International Brasil lançará uma nova linha Incoe DF, sistemas de injeção compactos, controladores de temperatura e buchas multi-ponto. A JMB Zeppelin Equipamentos Industriais, especializada em sistemas de armazenamento de resinas plásticas a granel, apresentará transilo para armazenagem, unidade para descarregar resina plástica de sea bulks e sistemas de transporte pneumático. A Lati Indústria Termoplastici SPA e sua filial brasileira prometem mostrar compostos especiais que atendem à nova norma IEC 60335-1, a qual rege o mercado europeu de eletrodomésticos.
A Polibrasil aproveita a feira para inaugurar oficialmente sua nova fábrica de polipropileno, que ampliará a capacidade de produção de 390 mil para 750 mil toneladas anuais. A P. Dattler, levará para a Brasilplast a máquina Illig (voltada para os segmentos de bebidas, cosméticos, higiene e limpeza, peças automotivas, brinquedos, ferramentas, papelaria, material escolar, material elétrico, produtos farmacêuticos, pilhas, isqueiros, lâmpadas, escovas e talheres), além de impressoras dry off-set Polytipe, extrusoras Kuhne, juntas rotativas Maer, secadoras e lâmpadas UV Uviterno e sistemas de embalagens do grupo IWKA. A Plastimac SPA mostrará a Tubest 129 automática, para impressão off-set em seis cores sobre tubos e envases cilíndricos. Máquinas para a confecção de sacolas plásticas e de sacos blocados serão o destaque da Polimáquinas, enquanto a Radiciplastics lançará o PET amorfo.
A Robtec, que atua no segmento de protótipos rápidos, demonstrará o sistema Rapid Tooling, conjunto de ferramentas rápidas sintetizadas para injeção de peças em material definitivo. A novidade da Synventive Molding Solutions é o Dynamic Feed, sistema de alimentação dinâmica tido como a próxima geração tecnológica no controle de processo de injeção. A Unigraphics Solutions apostará no Solid Edge versão 14, um sistema modular para aplicações de design, marketing, projeto de embalagens e ferramental, usinagem, engenharia reversa e prototipagem rápida de indústrias de embalagens. A Unipar vai fazer atividades de pré-marketing e distribuição de produtos da Rio Polímeros.
Com tal concorrência pela atenção dos visitantes, não é à toa que alguns fabricantes estão investindo em estandes gigantescos na Brasilplast 2003. O maior da feira, da A. Carnevalli & Cia, de Guarulhos-SP, fabricante de equipamentos para extrusão, impressão e reciclagem de películas, tem 1.000 m2. E a área ocupada pelos estandes das diferentes empresas do grupo Braskem, maior empresa petroquímica da América Latina, com faturamento anual de R$ 7 bilhões e produção de 4,25 milhões de toneladas, não fica atrás. No gigantismo das máquinas, a nova injetora da Romi será destaque.
O exemplo italiano - Entre os expositores estrangeiros, além das enormes delegações dos Estados Unidos e Alemanha – com 98 e 81 inscrições, respectivamente, até o início de fevereiro –, a Itália se apresenta com números e objetivos ambiciosos. Um mês antes do início da feira, havia 44 inscrições individuais de expositores, que se somarão aos 37 reunidos nos 400 m² ocupados pelos dois pavilhões da Associação Italiana dos Construtores de Máquinas e Moldes para Plásticos e Borrachas (Assocomaplast) e Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE). A iniciativa, segundo Emilio Pelizzon, trade analyst do ICE São Paulo, se justifica pela significativa cota de participação das exportações italianas para o Brasil. Somos, afinal, o oitavo maior cliente dos exportadores italianos nesse setor. “O objetivo é consolidar a posição da Itália como o primeiro fornecedor do Brasil de máquinas para plásticos e borrachas”, diz Pelizzon.
Esse segmento industrial é um dos mais importantes da economia italiana, ocupando o segundo lugar no ranking europeu e o terceiro em âmbito mundial, com uma produção que vem crescendo à média anual de 4,8%, chegando a 3,82 bilhões de euros em 2001. Em 2002, acrescenta Pelizzon, somente as exportações registradas entre janeiro e setembro atingiram 2,2 bilhões de euros, 50 milhões dos quais originados de compras brasileiras, deixando um saldo positivo de 1,6 bilhão na balança comercial italiana. Apesar desse desempenho invejável, os italianos não dormem sobre os louros, como demonstra seu apetite pela Brasilpast 2003. Sua dinâmica vale de exemplo para o Brasil, se o País quiser efetivamente se transformar num player importante do mercado mundial de materiais plásticos, avaliado em 300 milhões de toneladas para
2010.
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