UM BALCÃO DE NEGÓCIOS

Indústrias querem aproveitar a feira para turbinar suas vendas, enquanto buscam caminhos para ampliar as exportações

Manuela Rios

Vitrine das tendências, inovações tecnológicas e lançamentos de diferentes segmentos ligados à indústria do plástico – de transformadores a fabricantes de resinas sintéticas, produtos básicos e matérias-primas químicas em geral; de máquinas, equipamentos e acessórios a moldes e ferramentaria; de instrumentação, controle e automação a serviços e projetos técnicos –, a 9ª edição da Brasilplast (Feira Internacional da Indústria do Plástico), programada para 10 a 14 de março no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, vai apresentar uma novidade substancial: será um evento exclusivamente de negócios. Ao contrário de outros anos, quando avançava pelo final de semana e atraía um bom número de curiosos, a terceira feira mais importante do mundo no setor, desta vez, se limitará ao período de segunda a sexta-feira, terá acesso restrito a convidados e industriais, comerciantes, compradores e técnicos do setor, desde que apresentem cartão comercial, e ingresso proibido para menores de 16 anos. 

“Foi um pedido dos próprios expositores”, conta Evaristo Sérgio Alves do Nascimento, diretor da Alcântara Machado Feiras de Negócios e organizador da feira. “Eles querem sair do Anhembi com uma agenda efetiva de contatos para vendas.” Os negócios nesse campo, às vezes, demoram de seis meses a um ano e meio para se concretizar, porque dependem de projetos de ampliação ou construção de novas fábricas e, em alguns casos, de financiamentos do Finame (BNDES) ou de importações. Ainda assim, na edição passada, realizada em 2001, somente os fabricantes de máquinas fecharam vendas da ordem de R$ 69,8 milhões, valor 60% superior ao da feira de 1999.  Cuca Jorge
Nascimento, da Alcântara Machado: mais de 1.100 expositores

Segundo os cálculos de Maristela Simões de Miranda, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Abimaq, a Brasilplast já equivale a quatro meses de faturamento. Agora, a nova filosofia da feira promete turbinar ainda mais seu potencial de negócios. 
Em compensação, o público da feira – que tem o apoio oficial da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp) – deverá ser um pouco inferior aos 59.600 visitantes da edição anterior. 

Cuca Jorge “Pode-se perder em quantidade de visitantes, mas ganha-se em qualidade”, pondera o diretor da Alcântara Machado, que está lançando um programa diferente de atendimento aos turistas de negócios (leia o quadro “Tapete vermelho”). Para os expositores, trata-se, simplesmente, de uma questão de custo-benefício, de extrair o melhor retorno possível de um investimento que vai de 240 a 350 reais (conforme a data de inscrição) por metro quadrado de área ocupada no Anhembi, acrescidos do custo de instalação e operação dos estandes.
Maristela Miranda, da Abimaq: feira rende 4 meses de produção

Última hora - Exatamente um mês antes da abertura da Brasilplast 2003, a Alcântara Machado ainda estava às voltas com a inscrição de expositores. “As feiras alemãs são preparadas com uma antecedência de oito meses. As americanas e japonesas estão prontas seis meses antes. No Brasil, os expositores deixam tudo para a última hora”, brinca Nascimento. Pelo jeito, porém, os retardatários não são somente os brasileiros. Até a primeira semana de fevereiro, a Alcântara Machado contava com 900 inscrições, das quais apenas 390 de empresas estrangeiras de 30 países (confira na lista de expositores do exterior). Mesmo considerando que esse número pode aumentar em algumas dezenas com os dois pavilhões da Itália e as ilhas da Argentina e do Canadá, não será fácil igualar o número de 653 expositores internacionais presentes na feira de 2001. De quaquer maneira, incluindo as marcas presentes nos estandes dos representantes comerciais, Nascimento projeta para a Brasilplast deste ano um total superior a 1.100 expositores – a oitava edição chegou a 1.188. 

Com uma área prevista entre 74 mil e 75 mil metros quadrados, equivalente à da edição anterior, a feira promete ser um pouco mais confortável desta vez (leia o quadro “O Anhembi promete melhorar”). Provavelmente, não será preciso recorrer à montagem de tendas no lado externo do parque de exposições para completar o espaço requerido pelo elevado número de empresas inscritas, como foi feito em 2001. É que o novo Pavilhão Oeste do Parque Anhembi, uma estrutura desmontável inaugurada em abril do ano passado, acrescentou cerca de 10 mil m2 de área líquida ao espaço de 57.600 m2 oferecido pelo Pavilhão de Exposições principal (agora chamado de Pavilhão Leste). 

Além de mais espaço, a Alcântara Machado promete melhor setorização dos expositores na Brasiplast 2003 (confira no mapa). Bem na entrada da feira, no Pavilhão Oeste, ficará o bloco dos transformadores de plástico, os estandes dos blocos estaduais (Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco) e os de instituições como Sebrae e Senai, além dos de alguns de empresas de máquinas. Nessa área, há também um espaço separado para lanchonetes. Depois, entre as ruas A e F do Pavilhão Leste, ficam os fabricantes de resinas, enquanto as indústrias de máquinas, equipamentos, acessórios, moldes e alimentadores ocupam o espaço entre as ruas F e O, o qual abriga também os pavilhões oficiais de países como Alemanha, Itália, Argentina, Canadá e Portugal e as representações da Abiplast, Abimaq, Abiquim e Siresp. Como de hábito, o segmento de maior representação será o de máquinas e equipamentos para plástico, que ocupará cerca de 65% da área total da feira, enquanto os fabricantes de matérias-primas e resinas ficarão com 25% e os transformadores com os 10% restantes. 

Embora gigantesco, não é o espaço ocupado que transforma a Brasilplast num megaevento. Ao contrário, diversas feiras, como a Plast, de Milão (Itália), e a IPF, de Tóquio (Japão), esparramam-se por áreas ainda maiores. O que confere à exposição brasileira o quilate de terceira mais importante do mundo no setor de plásticos – superada apenas pela K, de Dusseldorf (Alemanha), e a NPE, de Chicago (EUA) – é o próprio potencial do mercado interno nacional e o fato de São Paulo ser a porta de entrada para o Mercosul, observa Evaristo do Nascimento, da Alcântara Machado (leia o quadro “O retrato do Brasil”). “Os próprios americanos reconhecem que a Brasilplast é muito abrangente, porque atinge toda a América Latina”, completa ele. Os números de 2001 comprovam essa percepção: entre os compradores e agentes internacionais que visitaram a feira, 74,2% eram da América Latina, 12,2% da Europa, 10,8% da América do Norte e 2% da Ásia. “Os grandes compradores têm financiamento e acesso fácil à tecnologia internacional. Mas os pequenos e médios, sejam brasileiros ou latino-americanos em geral, precisam de assessoria e têm dificuldade de ir a feiras no exterior por causa do idioma diferente. A Brasilplast é uma boa solução para eles”, argumenta Nascimento.

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