MÁQUINAS MODERNAS DRIBLAM O APAGÃO

Evolução tecnológica aponta na direção de máquinas mais eficientes e produtivas, aptas a
resolver problemas específicos e a gastar menos energia


MARIA APARECIDA DE SINO RETO

O mercado de injeção nunca teve tanta fartura tecnológica como agora. Há variedades para todas as necessidades e bolsos, desde as tradicionais injetoras mecânicas e hidráulicas, aperfeiçoadas para oferecer maior produtividade e economia, até modelos de última geração, uns de operação totalmente elétrica, outros combinando acionamentos elétricos e hidráulicos, além de outros ainda com sistemas de fechamento diferenciados. Tudo para atender às necessidades específicas de cada transformador. Mas a julgar pela quantidade de lançamentos na maior feira mundial do setor de plástico, a K, em Düsseldorf, Alemanha, agendada para outubro próximo, a maior tendência aponta para as injetoras elétricas. Mesmo os fabricantes europeus, até então reticentes à nova tecnologia, decidiram disputar o mercado.
Divulgação
Lançamentos da Romi, Engel e Sandretto permitem ampliar capacidade de transformação e economizar
eletricidade

Em momento de racionamento de energia elétrica soa como paradoxo falar em injetoras elétricas, mas uma das grandes vantagens dessas máquinas reside justamente na capacidade de economizar energia. Sua operação consome cerca de metade da energia elétrica necessária à das injetoras convencionais hidráulicas, garantem os fabricantes. Vários aspectos da nova tecnologia permitem essa façanha. Em primeiro lugar, os modelos hidráulicos concentram a potência numa única fonte de energia, a bomba hidráulica, explica Carlos Alberto Beltrão de Souza, gerente industrial da Himaco, de Novo Hamburgo-RS, primeiro fabricante brasileiro a desenvolver injetora elétrica. Além disso, durante o resfriamento da peça, e também nas instalações ou troca de moldes, a máquina fica desligada. O mesmo não ocorre com os modelos hidráulicos, que permanecem ligados durante todas as operações.

Carlos A. Silva
Heinen (no destaque) e a injetora Elétrica: 48% de economia
Os menores custos de instalação e manutenção também contam a favor das máquinas elétricas. Segundo Souza, esses equipamentos dispensam torres de resfriamento, óleo mineral hidráulico, além de vedações e mangueiras hidráulicas. Também são mais silenciosas.

Ao contrário da injetora convencional, que opera com um motor e um conjunto de acionadores hidráulicos, a nova linha Elétrica é movimentada por cinco servomotores de altíssima velocidade, com os comandos operando também por acionamentos elétricos. O resultado, segundo o gerente comercial da Himaco Cristian Heinen, é uma economia de 48% de energia elétrica.

Também o ciclo de produção é bem mais rápido. “Quinze injetoras da linha Elétrica trabalham por vinte das convencionais”, assegura Heinen. Ele reconhece que o preço final do novo produto sairá 40% mais caro, mas garante que as vantagens compensam o investimento. Com a economia de energia e a aquisição de menos máquinas, o transformador repõe a diferença do preço em dois anos, diz.

Quem visitou a última Brasilplast, realizada em São Paulo, em março deste ano, teve a oportunidade de conhecer a injetora. Entretanto, apenas um transformador brasileiro está operando um modelo de 130 toneladas de força de fechamento, em caráter experimental. Segundo Heinen, a Himaco decidiu manter a Elétrica em desenvolvimento até o final de 2001 para ajustar melhor alguns componentes, antes de partir para a produção em série. Nas estimativas do gerente, o primeiro modelo da série Elétrica, com 130 t de força de fechamento, estará disponível no mercado no começo de 2002. Os planos da empresa incluem a ampliação da série até o final de 2003, com a oferta de modelos entre 80 e 450 t de força de fechamento.
Carlos A. Silva

Os projetos da injetora elétrica nasceram dentro da Himaco em 1991, quando a empresa patenteou o produto no Brasil, mas só saiu do papel em 1999, antes, portanto, da perspectiva do apagão. “Foi uma feliz coincidência, porque a nossa idéia inicial era exportar essas máquinas para os países do Primeiro Mundo, onde elas predominam em função de sua vocação ecológica.”
De acordo com o gerente comercial, a máquina elétrica é lubrificada com óleo comestível e resfria desligada. Além disso, por eliminar o óleo lubrificante atende às exigências da indústria de embalagens farmacêutica e de alimentos. A injetora elétrica sairá da fábrica com um programador lógico computadorizado que incorpora disco rígido. Isso significa que, mesmo depois de desligado, o aparelho preserva os dados de programação da operação anterior.

 

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