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Na área de embalagens as previsões não são nada animadoras. Pelas pesquisas da FGV, o quadro atual desse setor caracteriza-se por um forte enfraquecimento da demanda, queda no nível de utilização da capacidade, aumento de estoques e piora na avaliação da situação dos negócios.
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APAGÃO REDUZIU O FATURAMENTO |
Para o gerente de produção da TME Plásticos S/A, Clementino Rodrigues Domingues, a crise de energia é o resultado da falta de planejamento do governo. “Na nossa visão, até o racionamento é conseqüência da incapacidade de uma ação adequada. Se tivesse começado há seis meses, de uma forma escalonada, o problema não atingiria esta dimensão e as empresas teriam mais tempo para se adaptar com custos menores.”
| Na sua opinião, até a sobretaxa é uma multa gerada por um erro que o governo cometeu. Ele diz que a TME sempre adotou uma postura de não desperdício de energia. “Devido às circunstâncias, mais algumas medidas foram tomadas, como a conscientização dos funcionários; substituição de alguns equipamentos por outros de consumo menor, como compressores de ar e motores de alta performance; compra de geradores e de lampiões a gás. |
| Cuca Jorge |
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| Domingues substituiu equipamentos velhos |
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A falta de energia no Brasil, para Domingues, leva à redução das atividades com a queda do faturamento e o aumento dos custos, uma combinação altamente perigosa. A perda da TME atingiu cerca de 10% e contabilizou uma despesa de R$ 300 mil em novos equipamentos e instalações. A relação custo/benefício não foi compensadora, segundo o gerente de produção, “mas precisávamos assegurar a continuidade da produção e não pensamos em vantagens econômicas”, assegura.
“Com isso, tranqüilizamos nossos clientes, inclusive os do exterior que se mostraram receosos com a possibilidade de atraso nas entregas.” |
Para o trimestre julho/setembro de 2001, o setor prevê um pequeno aumento na demanda, contra a queda de empregos. “Além disso”, segundo Quadros, “a confiança empresarial também diminuiu. Há um ano, 63% das empresas consultadas previam melhores negócios em um horizonte de seis meses e, apenas, 1% pensava de maneira diferente. Em julho deste ano, as proporções registradas foram 19% e 17%, respectivamente”.
Somente 8% das 77 empresas pesquisadas acreditam que o racionamento terminará em 2001. Para 59%, a solução da crise só vai acontecer em 2003 ou mais. “Mesmo assim, as empresas não alteraram os planos de investimento que, se realmente forem postos em prática, elevarão em 7% a capacidade produtiva da indústria.
Responsáveis - Para Batista da Costa, não há culpa ou responsabilidade de quem quer que seja pela crise atual. “Vejo, sim, uma falta de sintonia muito grande no governo de Fernando Henrique Cardoso. Cada técnico puxa a sardinha pro seu lado, mas quem investe mesmo é o governo. Não vamos perder tempo com reclamações”, declara.
Já Haberfeld pensa diferente. Para ele, a responsabilidade é do presidente, do chefe máximo da Nação. E exemplifica: “Se minha empresa vai à falência, a culpa é minha. É porque faltou pulso e acompanhamento”. Na sua opinião, o governo deveria ter investido antes o que está investindo atualmente. “Teria minimizado o problema. Poderia, inclusive, ter feito uma campanha vagarosa de economia de energia. Agora os investimentos têm de ser acelerados”. E ele acrescenta: “Aliado a isso, o governo precisa fazer com urgência as reformas da previdência e a tributária”, afirma.
Maristela também é da opinião que o governo deveria ter tomado providências há algum tempo. Segundo ela, “pela falta de administração do País fomos surpreendidos com o racionamento. Diversas entidades privadas alertaram para o problema. Para mim, tanto o governo como as empresas que geram energia, são os responsáveis pela crise atual”. A solução seria a construção, em caráter de urgência, de termoelétricas e linhas de distribuição de energia. “É preciso acabar com esse mercado oportunista”, denuncia.
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GERADORES SALVARAM A PRODUÇÃO |
Arnaldo Locoselli, diretor comercial da Afa Plásticos, que atua no ramo automotivo e de linha branca, encara o problema com ceticismo e o enfrenta com a compra de gerador a diesel. “Tivemos que realocar recursos destinados, anteriormente, para investimentos em nosso setor, para gerar energia”. Outra saída, na sua opinião, é comprar energia de outros fornecedores, como o Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE).
Com relação às exportações, Locoselli está tranqüilo. “A quantidade que exportamos é pequena a ponto do cliente não perceber o que se passa aqui”, admite. Para ele, FHC é o principal responsável pela atual situação. Quanto a perda no faturamento, o diretor admite queda de 20%. “Os investimentos valeram a pena pela tranqüilidade”, conclui. |
A presidente da CSMAIB conta que a Abimaq pleiteou ao Governo Federal uma linha de financiamentos junto ao BNDES, com prazo de pagamento maior (de 5 a 8 anos) e capital de giro vinculado ao empresário que comprar equipamentos para economizar energia elétrica.
Feriadão – O fantasma do caos ainda ronda o País. Não está totalmente descartada a possibilidade do governo instituir o Plano B de racionamento energético. Ele consiste no feriadão, uma vez por semana e, em última instância, o apagão. Que impacto sofreria o setor industrial com estas medidas? Nesse item, as opiniões são muito parecidas. Para Batista da Costa, o País perderia o controle total. “Nos primeiros 30 ou 60 dias todos os segmentos da sociedade ficariam quietos para ver o que iria acontecer. Depois, viria demissão geral”, profetiza.
“Seria uma catástrofe”, aposta Haberfeld. “O feriadão ou apagão iria provocar uma pressão muito forte sobre a inflação. As empresas iriam aumentar seus custos para produzir e, por conseqüência, teriamos a alta das taxas de juros. Em 60 dias o Brasil chegaria à recessão”.
Segundo Maristela, qualquer uma das duas opções penaliza as empresas que já investiram e se modernizaram para enfrentar a crise. “Não seria democrático”. A ameaça do apagão, confidencia o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e idealizador da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, David Zylbersztajn, “seria o caos, com problemas de sinais de trânsito, a sociedade viveria em um clima de guerra sem bombas ou tanques, mas haveria um toque de recolher”, admite.
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CORTE ATINGIU FUNCIONÁRIOS |
| Para driblar a crise na Plásticos Mueller S/A, o seu diretor superintendente José Pascoal Sangali, optou por não trabalhar mais aos domingos, cortar o terceiro turno, trocar lâmpadas, desligar ar-condicionado e letreiros e comprar geradores para suprir excesso de demanda. “Tivemos, também, que reduzir os pedidos e, como conseqüência, fazer corte de funcionários. Além disso, procuramos negociar banco de horas ou compensação”, conta. |
| Cuca Jorge |
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| Sangali cortou turno e também funcionários |
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Sangali já está somando uma perda de 15% em seu faturamento e admite não ter dinheiro para fazer a substituição de maquinário, “e os empréstimos no Brasil são a taxas proibitivas”, afirma. Para ele, o principal culpado é o governo e sugere: “A atual equipe econômica só sabe gerenciar taxas de juros. Deveriam chamar o setor privado para cuidar da ‘passagem’ desta crise que, necessariamente, conta com a revisão do modelo energético, bem como pela completa regulamentação do setor, para que o problema seja resolvido do ponto de vista da oferta de energia. Até agora nada foi feito!”. |
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