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CRISE ENERGÉTICA PUXA NOVOS INVESTIMENTOS
Transformadores apelam para geradores e também substituem máquinas antigas por modelos de
menor consumo de energia e maior produtividade
MARCELO RABINOVITCH
Os efeitos sobre a economia gerados pela crise de energia colocaram os industriais brasileiros num im-passe. Uns se dizem realistas. Outros, animados, acreditam que o País vai levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Muitas empresas estão revendo suas metas e tentam, a duras penas, atravessar a crise. Geradores, compra de máquinários modernos, que consumam menos eletricidade e gerem maior produtividade, e terceirização, têm sido alguns subterfúgios usados.
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O setor de plásticos foi atingido duramente, seguido do de metal e papel/papelão. O fato é que o racionamento de energia causou um desaquecimento na economia nacional. Prova disso é a queda de 0,99% no PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro. Esses dados, divulgados pelo IBGE, causaram susto ainda maior nas empresas já afetadas pela crise. Na opinião de Maristela Simões de Miranda, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para Indústrias de Plásticos (CSMAIB), não se sabe ainda com exatidão as conseqüências dessa desaceleração. “Deve haver uma retração nas vendas, desemprego e diminuição da produção. Estamos trabalhando no sentido contrário”, declara.
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| Cuca Jorge |
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| Maristela prevê dificuldades nas exportações |
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Para Maristela o problema não pára por aí. As exportações serão duramente comprometidas. “Muitas empresas não vão conseguir cumprir prazos de entrega, uma das exigências do mercado internacional. Perder este nicho é muito fácil, reconquista-lo é mais difícil”.
Concorda com Maristela o presidente da Associação Brasileira de Indústrias Embalagens Flexíveis (Abief), Sérgio Haberfeld: “O Brasil está com a economia desaquecida”. Some-se a isso a crise na vizinha Argentina e o aumento nas taxas de juros e o resultado pode ser a tão famigerada recessão.
| Cuca Jorge |
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| Batista: brinquedos terceirizaram produção |
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Entretanto, para outros, o quadro pode não parecer tão aterrador assim. Segundo Sinésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), a economia deve se acomodar em um novo patamar e valor.
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Para ele, nenhum setor vai desaparecer e afirma: “Não quero ser o chato de plantão. O ramo de brinquedos nunca nos decepcionou. Estamos batalhando para um aumento de 8% nas vendas do Dia das Crianças e Natal. Estou otimista”.
Com relação às exportações, Batista da Costa também não está desanimado. Na sua opinião, as exportações reagem bem. “Poderia ser melhor”, e complementa: “Não acho que vamos ter problemas porque, no exterior, um relacionamento comercial estabelecido é contínuo. Não trabalho com a possibilidade de perdermos o mercado internacional”.
O fato é que, julho de 2001 marcou por ser o período de maior enfraquecimento econômico, desde a crise do México, em 1995. Segundo dados de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 39% de um universo de 77 empresários acreditam que não terão problemas com a redução de 20% do consumo de eletricidade, contra 31% que temem pela perda de faturamento e emprego.
Preocupados somente com a diminuição das vendas, estão 17%. Um por cento deles não conseguiu reduzir a cota e 12% alegaram motivos diversos.
Mas, se as opiniões divergem tanto, a realidade é mais clara. Segundo afirmações de Salomão Quadros, economista-chefe do Centro de Estatísticas e Análises Econômicas da FGV, o setor de plásticos é o que mais sofreu com a redução de pedidos em carteira. Em contrapartida, é o setor que se reajustou com maior rapidez, embora tenha tido grandes dificuldades. “Ele perdeu vendas, diminuiu seu potencial de produção e, mesmo assim, é o que tem as melhores expectativas”, garante Quadros.
Esta reação, na opinião do economista, se dá pelo fato de a indústria de plásticos estar intimamente associada à de alimentos. Além disso, outro fator é preponderante: há uma grande flexibilidade em transformar o plástico sem prejuízo aos alimentos que embala. “Para o mercado alimentício, a situação não está tão negra ou preocupante, como para o de embalagens. “A expectativa para os próximos seis meses é bastante favorável”, adianta Quadros.
| Cuca Jorge |
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| Haberfeld: custos sufocam empresas de médio porte |
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Alternativas - Como driblar este problema tem sido uma constante para os empresários, sejam eles os otimistas ou os pessimistas de carteirinha. Cada um, a seu modo, tenta encontrar uma fórmula. As empresas pequenas, com um número inferior a 50 funcionários, levam uma certa vantagem. Segundo Haberfeld, algumas estão comprando geradores, outras estão montando empresas novas, como maneira de dividir a produção e as cotas de energia que recebem. As grandes, por sua vez, têm chances de transferir sua produtividade para o Sul, onde não há o racionamento. A maior dificuldade está para as empresas de médio porte. “Elas são pressionadas porque não conseguem repassar os custos.
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Estão entre a força das grandes e a flexibilidade das pequenas”, explica o presidente da Abief.
Já o setor de brinquedos tem mantido os níveis de produção anteriores à crise energética. A alternativa que encontraram foi terceirizar o trabalho para o interior do Estado. Mesmo assim, os prejuízos são contabilizados. “Primeiro foi o aumento de 1,8% nos preços da matéria-prima, sem chances de repasse; segundo, a insegurança para o mercado em 2002; terceiro, é a produção que está sendo preparada para o Natal. Ainda tem muitos brinquedos que não foram lançados, nem produzidos”, observa Batista da Costa. Mas a principal preocupação, admite, “é o aumento das taxas de juros. Precisa baixar. É a única maneira de termos um alento e, na verdade, não havia necessidade do Banco Central aumentá-la.”, critica o presidente da Abrinq.
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