TRANSFORMAÇÃO INJETA
US$ 9,7 BILHÕES PARA
DOBRAR DE TAMANHO



MARIA APARECIDA DE SINO RETO


“Até 2008 
estaremos transformando
o dobro do volume atual,
o que
significa 
também 
consumir o dobro”
Merheg Cachum,
presidente da Abiplast

Iniciado na área do plástico há 40 anos, na época da injetora “mula-manca”, Merheg Cachum milita como dirigente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) há 17 anos. Sucessor de Celso Hahne na presidência da entidade em 1995, foi reeleito em 1997 e tem grande probabilidade de permanecer como “capitão do time” neste início de milênio. Afinal, graças a seu carisma, ele conseguiu cumprir a tarefa difícil de articular as negociações entre transformadores e produtores de resina que, até então, viviam às turras, ora por escassez de produto no mercado interno, ora por alta nos preços. Hoje, os elos da cadeia se entendem, e bem.

Outra incumbência nada fácil, como a de buscar mecanismos para tornar a transformação mais competitiva, já conta com projetos ambiciosos tramitando nas dependências da Abiplast e do Governo. São investimentos orçados em quase dez bilhões de dólares, programados para os próximos sete anos para modernizar e duplicar a capacidade produtiva do setor, um marco extraordinário da esperança da transformação por melhores dias contido na entrevista de Cachum para Plástico Moderno sobre as perspectivas para os novos tempos, apresentada a seguir.

PM – Quais são as metas para 2001 e as perspectivas para a indústria do plástico no início do novo milênio?
Cachum – As metas para o novo milênio, sem sombra de dúvida, são de manter o crescimento mantido há mais de dez anos, estimado ao redor de 10%. Porém, acho que devemos ser mais arrojados, pois existe ainda muito espaço para o plástico crescer, principalmente tendo em vista que o nosso consumo per capita é baixo comparado a de outros lugares do mundo. E nem estou falando de comparações com os mercados americano ou europeu, mas a própria Argentina tem consumo per capita bem superior ao brasileiro. Acredito que temos ainda muito a avançar, pois essa defasagem significa oportunidades de expansão. Acho que devemos transformar aquilo que hoje aparentemente é um número negativo em um número bom no futuro.

PM – Em quanto se estima o consumo per capita brasileiro hoje? E nos mercados americano e europeu?
Cachum – O consumo deste ano no País está situado em 22 kg por habitante. Só para dar uma idéia, os Estados Unidos consumiam 155 kg e a Bélgica 173 kg há dois anos. Hoje, confesso não dispor de dados estatísticos para dar esses números com precisão. Eu diria o seguinte: um número baixo, num primeiro momento é ruim, porém indica chances de crescer muito. Já não se pode dizer o mesmo dos Estados Unidos. Num país onde apresentou 155 kg de consumo per capita há dois anos, não se pode afirmar que será de 300 ou 400 kg em um ou dois anos. Nós podemos dobrar e ainda estaremos longe deles. Para dobrar não é fácil, é preciso ter grande desenvolvimento no País, aumentar a riqueza de quem consome. Mas nós temos o Fórum da Competitividade, um plano até 2008, quando, teoricamente, estaremos transformando o dobro do volume atual, o que significa também consumir o dobro.

PM – Por que e como foi concebido o Fórum da Competitividade? Comente sobre as metas e os resultados obtidos até o momento.
Cachum – Esse Fórum nasceu dentro do Ministério da Indústria e Comércio há cerca de dois anos, com idéia completamente diferente do que se falava antes em câmaras industriais, onde se tratava apenas de um setor. Hoje o Fórum trata de uma cadeia toda, englobando a Petrobrás, a nafta, o produtor do gás, o produtor da resina, o fabricante de máquinas e o transformador. Então, a cadeia toda está envolvida nesse Fórum.

Suas metas seguem até o ano 2008, com investimentos de US$ 18 bilhões, dos quais US$ 9,7 bilhões serão investidos diretamente na área da transformação, assim distribuidos: US$ 4,1 bilhões na aquisição de máquinas para aumento de capacidade; US$ 1,2 bilhão para renovação do parque industrial, destinado à substituição de máquinas velhas que sairão do mercado e serão destruídas; US$ 2,9 bilhões serão aplicados em moldes novos; e US$ 1,5 bilhão será injetado em infra-estrutura, como modernização de fábrica. O setor de resinas terá aí ao redor de US$ 8,3 bilhões para ampliação das plantas petroquímicas já existentes e, com certeza, para novas também. Ao passar de 3,4 milhões, no ano passado, para 6,8 milhões de toneladas se estará, teoricamente, duplicando a capacidade de produção de resina brasileira. O fabricante de resina produz sempre baseado no mercado interno, apenas uma pequena parte da resina é destinada para exportação, caso haja sobra de produção.

PM – No caso específico da transformação, de onde sairá esse montante se a capacidade de investir continua extremamente baixa, como o senhor afirmou no encontro do setor? Como as empresas estão superando as dificuldades de acesso a financiamentos?
Cachum – Para que esse projeto se concretize, o governo está disponibilizando verbas pelo BNDES. Ainda não foram definidas as formas, mas já se iniciaram estudos para agilizar os financiamentos junto aos agentes repassadores. Mas no meu entender não será o sistema financeiro convencional, porque as dificuldades e as exigências são enormes. Por isso o governo está estudando uma forma de possibilitar o acesso ao financiamento sem todos os complicadores que existem, de criar mecanismos que possam viabilizar esse tipo de entendimento. Pode haver o dinheiro, a disponibilidade e a impossibilidade devido às exigências. É claro que é preciso ter exigências, pois é dinheiro do povo, tem de ser bem usado, de forma transparente. Mas eu entendo que é preciso simplificar o processo pois o pequeno empresário não tem condições de estar levantando quase o pedigree da família dele toda para dizer que ele é sério. O empresário não é bandido, é trabalhador.

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