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RADIAÇÃO

A TOLERÂNCIA DOS POLÍMEROS À RADIAÇÃO

Plásticos apresentam diferentes níveis
de tolerância quando submetidos à radiação gama,
segundo revelam alguns experimentos


ROSE DE MORAES

Cresce no País o interesse pelo emprego da radiação gama por cobalto–60, tecnologia empregada para esterilizar e descontaminar produtos médico-cirúrgicos, farmacêuticos, cosméticos e alimentícios, até mesmo incorporada por fabricantes de embalagens plásticas. Corrobora para isso a proibição de uso do óxido de etileno na esterilização de alimentos e medicamentos, conforme Portaria Interministerial 482, publicada no Diário Oficial da União de 19 de abril de 1999, e que abre apenas exceção para os materiais e os artigos médico-hospitalares.

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Divulgação

Na opinião de especialistas, os usos foram proibidos em razão do fato de que o gás pode representar risco à saúde, ocasionado pela sua absorção ou adsorção. A radiação gama, ao contrário, “não provoca interações, emissões tóxicas, e tampouco gera resíduos nocivos”, explica a física Beatriz W. Hutzler Artel, diretora da Empresa Brasileira de Radiações – Embrarad, especializada no uso da tecnologia de processamento gama, tanto para esterilizar descartáveis médicos e matérias-primas, como para descontaminar alimentos, cosméticos, inoculantes destinados à produção de fertilizantes etc.

Entre outras vantagens, a radiação emitida pela fonte de cobalto-60, segundo a especialista, destrói os microrganismos nocivos e patogênicos, e constitui o único método que permite emissões em quantidades ou doses pré-estabelecidas, dependendo das aplicações dos materiais, previamente analisados em suas correspondentes cargas microbianas.

As propriedades físicas da radiação e seu alto poder de penetração permitem que os produtos sejam irradiados à temperatura ambiente e diretamente nas embalagens finais destinadas aos consumidores, depositadas em caixas transportadas por esteiras nos contêineres que seguirão até a câmara de radiação, um bunker construído em paredes de concreto de 2 m de espessura, onde estão instalados o irradiador e a fonte de cobalto-60, que pode ser submersa, em caso de manutenção e reparos, em piscina de 6 m de profundidade de água, atuando como blindagem biológica.

Empregados nas embalagens de produtos submetidos à redução ou eliminação de suas correspondentes cargas microbianas, os materiais plásticos atuam como uma espécie de barreira e, considerando suas propriedades de resistência mecânica e permeabilidade, apresentam melhor desempenho em relação ao papel cirúrgico, material de maior porosidade que, em combinação com filmes plásticos, costuma ser utilizado nas embalagens primárias dos produtos submetidos à esterilização.

UNIDADE DE RADIAÇÃO GAMA POR COBALTO 
(clique na foto para ler as legendas)


Divulgação
Nem todos os polímeros, contudo, resistem com a mesma intensidade à radiação gama. Experiências com vários materiais disponíveis no mercado brasileiro, realizadas pela Embrarad, revelam diferentes níveis de tolerância, além dos plásticos que somente podem ser irradiados depois de estabilizados.

No campo dos fluoropolímeros, o politetrafluoroetileno, conhecido como teflon, degrada facilmente à presença de radiação, e apresenta nível de tolerância de apenas 5 kGy (quilo gray). Outro termoplástico que requer bastante controle na emissão da radiação é o polipropileno, que, em alguns casos, somente pode ser empregado quando estabilizado para essa finalidade, tolerando doses de 20 a 50 kGy. De todos os materiais plásticos, os poliésteres são os que mais suportam radiação, apresentando resistência de 100.000 kGy.

Custo-benefício – Ronaldo Lopes Canteiro, diretor-presidente da Embaquim, tradicional fornecedora do mercado institucional de embalagens plásticas, que fabrica embalagens de 1 litro até mil litros, adotou há mais de dois anos a radiação gama por cobalto-60, para assegurar a qualidade e a redução das cargas microbianas, acreditando, assim, estar contribuindo para a confiabilidade, por exemplo, no consumo de produtos alimentícios acondicionados em sacos e bolsas plásticas (bag-in-box) produzidos pela empresa.

Representando acréscimo de 15% no custo final das embalagens, os serviços de radiação são analisados sob a ótica do custo-benefício. “Nosso objetivo é oferecer a garantia de produtos livres de contaminação em embalagens que mantenham a sua integridade ”, afirma Canteiro.

Segundo estimativas do diretor, o interesse por embalagens esterelizadas e/ou descontaminadas deverá crescer ainda mais nos próximos anos, em especial nos segmentos de bebidas (águas , sucos, polpas de frutos e lácteos).

A experiência da Embaquim hoje mais voltada ao acondicionamento de líquidos e pastosos do setor alimentício, como iogurtes, milk shakes, sucos, polpas de tomate, ovos etc., também está orientada para a área de cosméticos, em especial para o envase de sabonetes líquidos, atividades com as quais é reconhecida no exterior, mantendo exportações regulares para os mercados dos EUA, México, Argentina e Venezuela, onde atua no fornecimento de bolsas e sacos plásticos, confeccionados em polietileno de alta e baixa densidades, e também linear, em estado puro, ou formando blendas com EVA.

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