|
|
ROSCAS
Reparadas x Novas A evolução tecnológica do parque
transformador brasileiro também foi sentida na Roscaplás, de São Paulo, que conta com
moderno processo de cálculo de fluxo com software dedicado e desenho em CAD para
desenvolver seus projetos. A tecnologia de múltiplas camadas, por exemplo, requer designs
de roscas diferenciados para cada resina, como constata o diretor comercial Mauro Pellini.
Existem diferenças nas geometrias de acordo com os diversos materiais, para
permitir que todas as camadas se distribuam de modo uniforme no cabeçote, com pressão
equilibrada, bem como plastificação e dispersão de pigmento adquedas.
Também forte na área de recuperação, a Roscaplás comprova as mudanças nos perfis dos
transformadores, hoje mais preocupados em substituir do que em retificar peças.
Enquanto no ano passado 60% das atividades foram de peças recuperadas, contra 40%
de novas, no primeiro semestre deste ano a situação se inverteu, com 60% de novas,
atesta Pellini.
Dependendo
do processo e da expectativa de vida, a Roscaplás reveste os filetes com ligas do tipo
Stellite ou Colmonoy (bem conhecidas do mercado e também usadas por outros fornecedores),
aplicadas com plasma, e depois retificadas. Atuamos apenas com bimetálicos
importados, quando há interesse por parte do cliente e o uso justifica a diferença de
preço, diz Pellini.
Mesmo com a demanda crescente por projetos novos, a retífica de peças desgastadas ainda
é prática comum entre os transmadores. Não descartamos o recondicionamento de
conjuntos de extrusão qualquer que seja o desgaste, pois dispomos de processo exclusivo
para compensar a taxa de compressão perdida, garante Pellini. Segundo ele, a
principal vantagem da recuperação é o custo, menos da metade de um conjunto novo.
|

Mathias: resinas avançadas pedem roscas eficientes |
Recondicionar é uma prática bastante usada, pois em alguns casos há condições
de manter-se o rendimento original, concorda Mathias. A Spirex, no entanto, não tem
esse procedimento no mercado brasileiro. Já no caso de canhões de dupla rosca da Entek,
a Uniflon aproveita a parte externa e substitui os liners internos (peças com formato de
um oito deitado por onde passam as duplas roscas) por novos, produzidos com a nova
técnica da metalurgia do pó, com garantia de vida útil superior às
originais |
A Xaloy
não desaconselha a retífica, mas também não a pratica nas peças exportadas, por ser
economicamente inviável. Afinal, teriam de ser enviadas para os Estados Unidos e o custo
não compensaria. Nesses casos, ou o transformador as recupera em terceiros ou adquire
nova. Não existe regra explícita, mas o recomendável seria alteração máxima de
1 mm, pois quando se aumenta muito o diâmetro do cilindro e da rosca altera-se o perfil
da máquina, explica Alves.
Miotto contra-indica retificação quando a folga supera 1,5 mm e, ainda assim, de acordo
com o produto extrudado, pois há casos nos quais alterações menores já inviabilizam o
reparo. De qualquer modo, essa prática está com os dias contados, em sua opinião.
A recuperação está realmente diminuindo, atesta. Isso porque quando se
restaura uma rosca danificada só se retoma o diâmetro original e a produção anterior
ao desgaste. Com novas geometrias, de tecnologia aprimorada, há aumento real de
produtividade. Prova disso: apenas 20% das atividades da Miotto estão voltadas para
retífica.
De acordo com Filippis, a preferência pela restauração depende do processo utilizado e
se o projeto da rosca está em perfeita sintonia com o produto. Nesses casos não se
deve recondicionar, recomenda. Caso muito necessário, sugere a recuperação do
cilindro e confecção de novo projeto de rosca. De acordo com ele, os reparos representam
apenas 20% das atividades da Wortex.
Manutenção
Como manter a integridade do conjunto é outro assunto com divergência de
opiniões. Alan W. A. Bilton, da Conemar, contra-indica paradas para averiguação. Para
ele, quanto mais contínua a operação, melhor para a rosca. São componentes
projetados para operar dia e noite, sem parada, evitando acúmulo de impurezas e restos de
polímeros, justifica. O desgaste, afirma, só ocorre após anos de uso e será
percebido na redução da produtividade e da qualidade dos produtos acabados.
Já o presidente da Miotto sugere medição periódica. Sua empresa executa esse serviço
gratuitamente, a cada seis meses, para clientes da Grande São Paulo. E sempre que a folga
entre o cilindro e a rosca atinge 0,5 mm, sua orientação é para renitretar a rosca.
Essa prática, segundo ele, eleva a durabilidade. A Xaloy prefere recomendar inspeção
mensal no diâmetro da rosca e do cilindro. Caso o transformador perceba irregularidades
ou desgaste, sugere a recuperação, dentro dos parâmetros já mencionados, ou a troca.
Na opinião de Alves, a manutenção mensal oferece ao transformador condições de
perceber o momento adequado para reparo ou troca, principalmente das peças nitretadas,
que sofrem desgaste mais rápido.
Nas contas de Alves, a proporção comum é substituir três roscas para cada cilindro.
Em geral, quando se troca a rosca, avalia-se também a necessidade de retificar o
cilindro, diz. Há possibilidade de brunir o canhão inteiro (retífica mais fina),
porém o diâmetro da rosca será obrigatoriamente alterado, de modo a ajustar-se às
novas medidas do cilindro. Nas empresas com várias máquinas de idêntica
capacidade compensa mais trocar todo o conjunto, a fim de manter as medidas originais e
condições de fazer intercâmbio entre as máquinas, recomenda.
|
|
|