A tradicional NPE bateu todos os recordes possíveis em sua última edição, de 19 a 23 de junho, e se firmou como feira globalizada TEXTO E FOTOS DE MARCELO FURTADO PARTE I A megafeira de plástico NPE, de Chicago,
nos EUA, a segunda maior do mundo no gênero, precedida apenas pela K, de Düsseldorf, na
Alemanha, tornou-se também, na última edição, de 19 a 23 de junho, uma verdadeira
torre de Babel, atraindo número recorde de visitantes estrangeiros. Segundo balanço da
organização, um em cada cinco registros de visitas era de gente de fora dos Estados
Unidos, representando um aumento de 43% em comparação com a NPE de 1997 e de 114% com a
de 1994.
Quanto aos latinos, o destaque fica com os brasileiros. Em estimativa informal do diretor da Solvay do Brasil, Almir Abdalla, presente no estande da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para divulgar a Brasilplast 2001, provavelmente cerca de mil visitantes patrícios tenham dado o ar da graça em Chicago (ver pág.30). Ao contrário de outras vezes, notamos a participação até de pequenos transformadores, observou Abdalla.
O crescente interesse dos estrangeiros não se deve só ao esforço da SPI. Cada vez mais contrabalançando com a K, a NPE se firma como feira global repleta de novidades. Uma pesquisa prévia com a quase totalidade dos expositores revelou que 58% deles pretendiam fazer lançamentos em Chicago. E isso não apenas da maioria de expositores dos Estados Unidos, mas também dos 25% de empresas estrangeiras e das várias subsidiárias americanas de grupos internacionais. Esse percentual, a propósito, também representa outro recorde, um acréscimo de 71% em comparação com a feira anterior. Elétricas crescem Embora com novidades presentes em todos os segmentos, como sempre o destaque ficou com as máquinas de transformação. Apenas nos cinco dias de feira, para demonstração, foram injetadas, sopradas ou extrudadas cerca de 360 toneladas de plásticos. No campo das injetoras, destacavam-se o grande número das totalmente elétricas, cada vez maiores, a profusão de híbridas eletro-hidráulicas e o crescente uso de nova tecnologia assistida a gás. Já em extrusoras, além de avanços em cabeçotes e roscas, a atração ficou por conta da extrusão conjunta com fibras de madeira. Em sopro, a profusão das sopradoras elétricas e dos modelos stretch-blow (estiramento-sopro) para PET foram algumas das novidades. Para começar por ordem de quantidade e novidades, ou seja,
pelas injetoras, chamou a atenção a quantidade de novas máquinas totalmente elétricas,
com força de fechamento maiores e modelos mais diversos. na NPE 2000 mais de dez
companhias mostraram essas máquinas com fechamento exercido por servomotores elétricos.
Conforme o diretor de vendas da Ube, Ichiro Motoki, uma grande qualidade da máquina elétrica em operação era a facilidade de injetar peças grandes com relativa baixa tonelagem. Uma peça única desse tamanho (20 polegadas de comprimento por 10 de largura e 35 de altura) só seria possível ser injetada de uma só vez por uma máquina hidráulica de no mínimo 2.000 t de fechamento, explicou. Para ele, isso foi possível porque as unidades de injeção e fechamento são acionadas por servomotores AC independentes, o que acelera os ciclos e facilita a moldagem. A linha de injetoras elétricas Ultima é disponível numa faixa de 31 t a 1.400 t de força de fechamento. As de 31 t até 450 t são produzidas pela associada Niigata, no Japão. No estande da Ube ainda havia a segunda maior elétrica do mundo, de 1.000 t, a Ultima UN 1100, operando com um sistema de revestimento do moldado de um estágio denominado Dieprest. Nela, um robô era usado para inserir no molde de peça automotiva um revestimento de não-tecido para logo em seguida ser preenchido por polipropileno, dispensando uma nova etapa, com outros equipamentos e adesivos para fazer a colagem. O Dieprest se baseia em software que controla o fechamento e em sistema de injeção closed-loop controlado por servoválvula.
Com unidade de injeção de duplo-estágio, a máquina possui peso de injeção máximo de 4.250 g e pressão máxima de 30.000 psi. Todas as Powerline possuem controle Xtreem que possibilitam conexão em rede e internet e com todas as facilidades de um computador PC. Além da Powerline 935, a empresa expôs as menores 550 (500 t) e 750 (680 t).
A série Roboshot possui o sistema AI (artificial intelligence), que controla a pressão de injeção e protege com sensores ultra-sensíveis o molde (durante seu fechamento) e a medição. Outras duas empresas destacavam elétricas maiores: a Toyo,
representada pela americana Maruka, de Rockaway, New Jersey, e a filial local da Toshiba,
de Illinois. A primeira expandiu sua série Plastar Si para 270 t, levando um modelo para
a feira, e a Toshiba mostrou uma nova linha que agora chega a até 350 t (antes a maior
era de 100 t). Para o diretor da Maruka, Thomas McKevitt, a grande vantagem das máquinas
é a velocidade. A série Si consegue com um servomotor com bobina de alta densidade
ter velocidade de injeção duas vezes mais rápida do que uma similar hidráulica,
diz. |