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POLUIÇÃO
d) Impactos psicológicos
» A transferência dos catadores para usinas de
reciclagem ou triagem propicia impactos psicológicos positivos nessa classe informal de
trabalhadores, pelo fato de lhes conceder cidadania. (Impactos permanente, local e
imediato, M=+3, I=3).
» A não-reciclagem gera impacto psicológico
negativo pela má deposição das embalagens nas ruas, nos rios e córregos. Um local de
moradia asseado, sem lixo, possibilita uma satisfação de vida (Impactos temporário e
regional, M=-2, I=1, caso de não reciclagem).
A tabela 2 mostra a matriz de avaliação dos impactos mais importantes, gerados pelas
ações da reciclagem das embalagens plásticas pós-consumo e a não-reciclagem, e seus
valores de magnitude e de importância.
| F A T O R E S |
A Ç Õ E S |
| Reciclagem |
Não-reciclagem |
| Magnitude |
Importância |
Magnitude |
Importância |
| Retirada
de embalagens do ambiente |
+ 3 |
2 |
- 3 |
2 |
| Economia
de energia |
+ 3 |
3 |
- 3 |
3 |
| Melhor
aproveitamento da matéria-prima |
+ 3 |
3 |
- 3 |
3 |
| Vida
útil dos aterros |
+ 3 |
2 |
- 3 |
2 |
| Gastos
de água |
- 3 |
1 |
- |
- |
| Gastos
de energia na reciclagem |
- 2 |
2 |
- |
- |
| Diminuição
no entupimento dos bueiros |
+ 3 |
1 |
- 3 |
1 |
| Não
risco de vida |
+ 3 |
2 |
- 3 |
2 |
| Diminuição
vetores de doenças |
+ 3 |
3 |
- |
- |
| Geração
de empregos |
+ 3 |
3 |
- |
- |
| Incentivos
Fiscais |
+ 1 |
3 |
- |
- |
| Deslocamento
dos catadores |
+ 3 |
3 |
- 3 |
3 |
| Composição
paisagística |
+ 1 |
3 |
- |
- |
| Aumento
do turismo |
+ 2 |
1 |
- 2 |
1 |
| Cidadania
dos catadores |
+ 3 |
3 |
- 3 |
3 |
| Impacto
psicológico pela deposição das embalagens |
+ 2 |
1 |
- 2 |
1 |
| TOTAL |
= 68 |
- 68 |
Medidas mitigadoras - A avaliação dos impactos
ambientais deve não só identificar os impactos negativos ao ambiente mas também indicar
e testar as medidas de correção. Mais do que mitigar os impactos negativos, é
necessário procurar evitá-los. No caso de impossibilidade, é preciso tentar
corrigí-los, recuperando o ambiente.
A reciclagem dos resíduos plásticos gera, na maioria das vezes, impactos positivos, mas
também ocasiona problemas que devem ser minimizados. Medidas mitigadoras devem ser
tomadas para diminuir ou mesmo eliminar os impactos negativos, como os de gastos de água
e de energia, bem como da geração de resíduos durante a lavagem.
Em relação aos gastos de água, sugere-se um tratamento local da água utilizada na
lavagem dos plásticos com filtros de areia. Trata-se de uma solução barata para as
pequenas empresas. Essa água poderá retornar ao processo e ser reutilizada. Resolve-se
assim o problema de consumo, com a diminuição da quantidade de água usada, geralmente
eliminada em efluentes.
Quanto ao consumo de energia, os equipamentos podem ser dimensionados para gastar o
mínimo possível, o que já ocorre na maioria das empresas. É a reengenharia dos
equipamentos.
Já os resíduos sólidos, provenientes da lavagem, podem ser submetidos a um processo de
compostagem, ou seja, produção de adubo. Este processo também é simples e barato.
Dependendo da qualidade desses resíduos, também pode-se transformá-los em tijolos.
Conclusão - O resultado da matriz de avaliação de
impactos mostra nitidamente que a reciclagem produz impactos na maioria positivos, o que
não ocorreu com a avaliação da ação de não-reciclagem. A presença de resíduos
poliméricos no meio ambiente, principalmente as embalagens pós-consumo, ocasiona
impactos negativos, porém, se gerenciados de forma ecologicamente correta, podem gerar
impactos bastante positivos para a sociedade.
Apesar do ponto fraco deste estudo ser a subjetividade na avaliação quantitativa dos
impactos, foi possível observar que os impactos negativos gerados pela presença dos
resíduos plásticos no meio ambiente foram todos gerados pelo homem. Dessa forma, a nossa
responsabilidade em resolver tais problemas é maior.
A metodologia utilizada neste trabalho foi desenvolvida na tese de doutorado da autora
intitulada Misturas reativas de PET/polietileno de alta densidade/ionômeros e
estudos mercadológicos para a aplicação em reciclagem, orientada pelos
professores Carlos Hemais e Marcos Dias, no Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa
Mano da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A A U T O R A |
Élen Beatriz Pacheco é graduada em engenharia química e
química industrial pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro; e doutora em
ciências e tecnologia de polímeros pelo Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa
Mano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IMA/UFRJ), na área de recuperação de
plásticos. Atualmente é pesquisadora senior do Grupo de Gestão Tecnológica da UFRJ,
onde implantou sistema de coleta seletiva de resíduos líquidos perigosos no IMA, em
funcionamento desde 1996. Autora de 40 trabalhos, orienta tese de doutorado, mestrado e
trabalhos de especialização. |
| B
I B L I O G R A F I A |
P.B.Antunes
(1992), Curso de Direito Ambiental: Doutrina na Legislação - Jurisprudência
Cap. IV - O Estudo do impacto ambiental, 103-13; 2a Edição, Ed. Renovar
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